quinta-feira, março 30, 2006



Aí está ela.

A primavera.

Ainda não por cá!

Estações hoje tão indefinidas!

Seria bem bom que ela viesse carregada de um futuro melhor para todos nós, mas especialmente para as crianças e para aqueles que infelizmente perdram os seus empregos no tumulto desta globalização que ainda não consegui compreender bem!

E sempre a esperança de um mundo sem guerras e conflitos, que tanta dor e amargura trazem às suas vítimas directas e indirectas também.

segunda-feira, março 27, 2006

De volta ao passado noutra primavera

Faz hoje exactamente trinta anos, no início de uma primavera que, ao contrário dos tempos poluídos que vivemos, ainda era bem definida.
Com os meus amigos e colegas de trabalho conviviamos em amena cavaqueira, num curto espaço de intervalo do trabalho, para um café, naquele hospital universitário de Gent onde trabalhei.
As saudades são muitas, mas o tempo não perdoa e hoje já só os cabelos brancos e uma amizade férrea resistem ainda.
Um deles, infelizmente deixou-nos e com a sua partida tão dramática só a presença constante de um insuportável vazio.
Para o Luis a minha eterna saudade.
Os outros, o Frank e a Marie Rose, abracei-os ainda não há mais de quinze dias e nesse momento ficou renovada a explicitude da nossa inquebrantável amizade.
Ao Frank o abraço terno e tão amigo, pela lembrança desta velha fotografia guardada no baú das suas recordações

terça-feira, março 14, 2006

Chez Damberd, ali ao Koornmarkt


Esta é a entrada do mais antigo bar de jazz de Gent; data de cerca 1775, mais coisa, menos coisa, nao posso garantir e que era poiso da burguesia francofona que para ali vinha jogar damas, um lugar onde hoje e desde os anos setenta do seculo passado, uma figura quase historica da cidade recebe bem a sua clientela amante desta expressao musical com o melhor e mais depurado que se pode ouvir, ja que Paul é senhor de uma invejavel colecçao, que vai desde Milles Davis, Oscar Peterson, Toots Thilemans,... um longo caminho que até prepassa pelo nosso até Rao Kiau com o seu promitivo sax tenor...
Cerveja variada até a exaustao, toda ela de grande qualidade. ambiente miscenizado; gente das artes, gente de uma esquerda moderna, jovens artistas,...enfin, um lugar a nao perder

sábado, março 11, 2006

De volta ao lugar onde ha trinta anos vivi















Magnifica vista da igreja de S.Nicolau e por detras, o Belfort, em pleno coracao desta inesquecivel cidade, onde, até o ar que se repira tem o odor de uma historia gloriosa.
Fazia um frio saboroso, mas de bater os dentes.
Depois, veio a neve e foi o grande final apoteotico do espectaculo.














Em MOORTSELE.
Debaixo de um frio de rachar, um passeio pelos campos despoluidos deste canto maravilhosa da Flandres, lugar onde o ar é puro e se mastuga, na companhia deste cachorro.
Depois a revisitacao da cidade maravilhosq de Gent, um lugar de encher o olho, tao bela e grandiosa ela é.
Pena que este teclado flamengo me nao permita por acentos e outras particularidades da nossa escrita

de regresso a Gand












Hoje é um dia diferente.
Estou com a minha familia flamenga, num Pais que adoro.
Por aqui tudo é diferente e ao mesmo tempo igual ao meu Pais.
Aqui, longe, nesta pequena comuna da Flandres, vive um pouco ou muito de mim, um capitulo da minha vida longa de tantos anos.
Este é o custo de uma coisa complicada de conseguir: A AMIZADE Celular, a que é a verdadeira, a que de facto, é celular, insofismavel!
Dificuldades com o teclado impedem uma escrita serena, isenta de erros, faltas de acentos..., mas mesmo assim desistir é coisa que tento evitar.
Alain,Cedric,Leon, estes dois pequeninos, netos do meu muito querido amigo Alain,amigos meus também!...é inevitavel.
Adoraveis.
Um jantar de rei, as luzes no jardim, o nevoeiro que é ausente, o frio que dizem fazer e que é imperceptivel, uma morrinha que nem sequer humedece, a generosidade extrema, levada mesmo ao extremo de irreconhecer defeitos, os cheiros, os gostos, a afabilidade,... diferentes,... bons...
A Bélica flamenga, o meu outro Pais:
Definitivamente diferentes, bons....gostosos...flamengos.
A Bélgica flamenga, terra onde encontrei o verdadeiro sentido da amizade total, sem rodeios, sem mentira.

sábado, fevereiro 25, 2006



Finalmente de volta a casa. Feliz, tranquila e aliviando as nossas angustias pelo seu transitório desparecimento.
A Moca voltou e com ela a alegria da família

domingo, fevereiro 19, 2006

O feliz reencontro, ou o amor pelos animais

Há quase quinze dias, que aquela cadela, uma fila de S. Miguel, desparacera e a minha filha, sua dona, não parava de chorar, mergulhada numa profunda depressão que tanta angústia me causava de a ver sofrer tão amargamente.
Corajosa, determinada, correu bairros e bairros de Lisboa, lugares de uma sordidez e perigosidade iniludíveis, numa procura ansiosa, até que, hoje, dada a sua determinação, o seu espírito forte e sua impossíbilidade de desistir, teve finalmente o prémio merecido, a sua vitoria: junto à doca de Belém, reencontrou a sua inestimável amiga : a sua bela fila tigrada de dourado, escanzelada a cheirar ao peixe que a fez sobreviver.
Foi um prémio mais do que merecido.
Bem hajas, minha filha, por me não teres dado ouvidos aos meus conselhos de deserção, de desistência.
És uma verdadeira mulher, digna para além do meu amor, do meu imenso respeito.
Hoje é dia de grande felicidade para todos nós.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Paciência

Há não muito tempo, numa manhã radiosa de fim de Verão, esperava eu, no largo fronteiriço à consulta externa de um decrépito hospital, bem à portuguesa, sentado num banco corrido de madeira, assento e costas de ripas duras, verniz desgastado pelo uso imoderado de almas sofredoras e pacientes, um banco igual a outros que por aí raramente se encontram nos maltratados jardins públicos desta nossa Lisboa.

A sombra acariciante de uma velha acácia e uma brisa suave adoçava aquela espera angustiante.

À minha volta, um murmúrio dolente da vozearia monocórdica da poalha de gente , entrando e saindo, passando,..., eu desatento, totalmente.
Não era pois um jardim, aquele lugar onde ansiosamente esperava eu a palavra amiga de alguém que me diria:

...desta vez a tua próstata ainda te não vai matar!

Ao meu lado, pouco depois, sentou-se um homem, que vim a saber ter a minha idade, quase cadáver, escanzelado, macilento, envelhecido, aparentado mais ser meu pai do que meu contenporâneo, que, cerimoniosamente me foi pedindo cigarro após cigarro, e, como se me conhecesse desde sempre, me foi falando da sua vida, dos seus desgostos, do seu abandono maternal, da sua megera madrasta Madrilena, que seu pai, um traste embarcadiço, conquistara, mulher que lhe fizera uma infância e adolescência tenebrosas.

Anquilosado pelas artroses do tempo e de uma vida de trabalho duro, em condutas de gáz, toráx tuneliforme da fumaça de anos e anos, respiração curta e ruidosa, falou, falou, falou sempre, muito, torrencialmente, palavras como um rio tumultuoso,só interrompendo o sua imparável verborreia, para, em tom severo e agastado, por várias vezes, recusar a garrafa de água, que uma mulher, a sua dedicada companheira, olhar esgazeado de ansiedade, lhe oferecia obsessivamente, olhos humedecidos do adivinhado terror de o perder:
-Tens de beber, homem de Deus, senão o doutor não te faz o exame e depois sabes, é muito pior...!

Um tanto absorto, mas enternecido até, tentei, tentei escutá-lo, o mais carinhosamente que a minha ansiedade tornou possível e quedei-me, boquiaberto, quando, já cansados de esperar, lhe ouvi o que jamais supusera poder ouvir num suspiro profundo:
Olhe, meu caro Senhor, às vezes, o que é preciso é ter muita paciência para a paciência.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Insónia inevitável




A noite cai
E aí está ela
A cruel insónia
Igual e dolorosa como as outras que já não consigo contar
Tantas foram
Iguais
Dolorosas
Asfixiante


Pressões
Angustias
Culpabilidades incógnitas
Do tamanho de um universo do qual não tenho ideia da dimensão.

Insónia
Angústias
Sofrimento
Que mal fiz para merecer tal castigo
Desumano
Irremediável
Inevitável

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

A grande bofetada aos Americanos

Pela importância deste fantástico documento não resisto a deixá-lo aqui na esperança de que cada um que o ler o divulgue.

Assunto:
Discurso do Ministro da Educação doBrasil nos EUA.
POR FAVOR LEIAM!
Vale a pena ler este discurso do Ministro da Educação Brasileiroproferida nos EUA.

Discurso do Ministro Brasileiro de Educação nos EUA
Date: Mon, 21 Mar 2005 19:53:01 -0000
Este discurso merece ser lido, afinal não é todos os dias que umBrasileiro dá um "baile" educadíssimo aos Americanos...
Durante um debate numa universidade nos Estados Unidos o actualMinistro da Educação CRISTOVAM BUARQUE, foi questionado sobre o quepensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge comalguma insistência nalguns sectores da sociedade americana e que muitoincomoda os brasileiros).
Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta deum Humanista e não de um Brasileiro.
Esta foi a resposta do Sr.Cristovam Buarque:"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra ainternacionalização da Amazónia.
Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso.´
Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental quesofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve serinternacionalizada,internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundointeiro...O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidadequanto a Amazónia para o nosso futuro.
Apesar disso, os donos das reservassentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveriaser Internacionalizado.
Se a Amazónia é uma reserva para todos osseres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de umpaís.
Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais.
Nãopodemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo.
O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano.
Não se pode deixar esse património cultural,como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre.
Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA.
Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio deJaneiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUAtêm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantirque cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro.
Ainda mais do que merece a Amazónia.
Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.
Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que aAmazónia seja nossa.
Só nossa! "ESTE DISCURSO NÃO FOI PUBLICADO.
AJUDE-NOS A DIVULGÁ-LO, porque é muito importante... mais ainda, porque foi Censurado.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

o inexplicável ou talvez não...



Há dias, em que até o respirar é doloroso, a angústia inexplicável.
Dias em que nos apetece não ter nascido.
Tempos difíceis, sorrisos aprisionados, o ar difícil de inspirar, tal é a opressão que nos esmaga o peito num amplexo de uma indescritível crueldade.
Sobre os ombros, as culpas de todos os males do mundo!
De que nos servem conselhos se nem sequer temos capacidade de os ouvir?

domingo, janeiro 29, 2006

Neve em Portugal



Neve em Lisboa e por esse Portugal aí...
Sorri, num misto de espanto e alegria.
A razão do meu espanto: hoje caía neve em Lisboa, coisa que nunca me passara pela minha já velha cabeça, pois só vira tal fenómeno passados já cerca de cinquenta anos...,
Da minha alegria, por ter nos meus braços a minha querida neta, de três tenros anitos, olhos esbugalhados, em frente da larga porta envidarçada da minha varandas, a olhar os flocos brancos que tombavam dos céus.
Janelas abertas, os papalvos sabidões da capital, olhavam o fenómeno raríssimo, com se houvesse festa.
Pode dizer-se o mesmo de quem, só muito tarde , aos dezassete, dezóito anos, viu o mar pela primeira vez, o meu caso.
De todo o modo, o invulgar acontecido foi uma festa.
Neve em Portugal
Alertas e mais alertas ridículos, da fantasmagórica protecção civil, como se de um cataclismo se tratasse!
Como tudo está diferente!
Por momentos, regressei às origens.
Recordei os invernos, em que, enregelado, tinha de ir para a escola, dias seguidos, tiritando de frio, mãos engaranhadas, incapazes de escrever, no meu cada vez mais saudoso canto nordeste de Portugal, essa terra de gentes abandonadas de poderes e vontades, debaixo de terríveis nevões e inacreditáveis baixas temperaturas, que reduziam a minha pacata, nesse tempo, simples cidadezinha Bragançana, a um lugar branco, silêncio sepulcral, pois que quando há uma daquelas nevadas que já rareiam, até os sons são emudecidos..., metabolizados... edigeridos, pelo majestoso manto alvo dos nevões, cobrindo ruas, ruelas, becos, travessas e montanhas.
Foi bom ver nevar outta vez antes do meu regresso final à minha origem, à belíssima montanha do meu sempre presente imaginário: constatável na imagem que aqui lhes deixo da montanha que me viu nascer: A majestosa Montesinho.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

O reencontro


Noite memorável, a que tive a felicidade indescritível de partilhar na sede da diáspora transmontana, em Lisboa, com o meu povo, a minha gente, essa gente de tão longe, do lá longe da nossa saudosa terra granítica de um nordeste alcantilado, inigualável e único lugar, o verdadeiramente nosso canto transmontano, invendável das suas honra e galhardia, rude, áspero, mas simples, hospitaleiro, sem subserviência, honrado, e, definitivamente, terra de gente de coragem não bacoca, independente, gente de uma imparável e indestrutível identidade, gente da terra onde tivemos a honra de nascer há tantos anos.
Gente sempre esquecida de poderes tacanhos, de poderes que vêm de tempos sempre para nós tempos infinitos, tão esquecidos sempre fomos, quer por aristocracias rebentadas, até à última, aquela a que um Buiça transmontano, ajoelhado, em pleno Rossio, pôs fim com um corajoso e certeiro tiro regicida, gente esquecida dos poderes do negrume da noite Salazarista, esquecimento continuado até hoje pelo descalabro político a que este nosso País não conseguiu fugir, como se de um triste fado de predestinação fossemos as vítimas de palco.
E à volta dos sabores de um vinho novo, só tão nosso, de um fumeiro único, talvez só por nós engrandecido, tal é a intensidade das nossas memórias de cheiros, sabores, sotaques.,.. e outras emoções, tão só nossas também, envolvidos na confusão de recordações de amigos há muito ausentes, gente que se fez a si própria, sem empurrões tão típicos da portugalidade, gente que vindo do nada, tantas vezes, chegou mais longe do que o imaginável, facto de que tanto nos orgulhamos, gente que granjeou estatuto de maioridade em todos os campos do trabalho, e agora ternamente reencontrada, foi com a pele crispada pela emoção e de orgulho que recebemos uma figura singular, um homem de uma indisfarçável generosidade, coração grande como grande o é na sua admirável poesia, autor emérito de numerosas obras, indo mesmo até aos meandros do teatro, homem de ímpar sensibilidade, escultor também, e, sem dúvida, com o poder de caminhar pelos caminhos difíceis de uma pintura de altíssima qualidade: António Afonso (poemarte. blogspot.com).
É ele que hoje finalmente conheci na sua totalidade: na sua verdadeira face de homem simples, na sua grandeza sem vedetismos parolóides e que este maldito Pais ainda não teve a coragem de reconhecer como um dos seus ilustres filhos, talvez tão só, porque os lobbies das pseudo-culturas, estão sempre nesta aldeia grande, esta dita capital, lugar bonitinho só, de um saloísmo esgotado e bafiento lisboeto-patetóide, em que os louros vão sempre para os mesmos: os de cá, os Prados Coelhos..., os amigos dos críticos disto ou daquilo...,etc..., porque nós, por cá por Portugal, e nesta Lisboa, particularmente, temos especialistas em tudo,não se sabendo quem lhes conferiu essa qualidade,..., os amigos desde e daquele..., os que, enfim, se tomam por conhecedores únicos de toda a ciência e arte. ,
Os outros, aqueles que são de longe, das terra de Torga e outros grandes, são olhados como provincianos e alvos de um esquecimento, que afinal não passa de um esquecimento pura e simplesmente baseado no sórdido sentimento de uma merdosa inveja.
Penso que ele, o António, se não importará de que aqui deixe o denso retrato do poema que hoje tive a felicidade de receber das suas mãos, poema que figurará numa placa de ouro às portas da minha cidade natal, lugar de toda a minha saudade: a minha querida e vetusta secular Bragança.

De António Afonso

A minha cidade tem um rio
por detrás de muros antigos e pedras gastas
e onde todas as ruas
pertencem à dormência do tempo.
Onde praças e jardins de Abril
se cobrem de flores e carícias de lés a lés.
Nas mãos voláteis
aqui acendo versos de fogo sobre os sentidos
Quando por dentro da noite
se acende a música
em espirais de som até à torre mais alta do castelo.
A minha cidade tem um rio
e uma ponte sobre o tempo
irrompendo pela manhã.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Esquerda/Direita volver!!!

A grande confusão esquerda direita

Porque será que há por aí tanto esquerdista que de esquerdista pouco ou nada têm, esquerda ou pseudo-esquerda essa que se arroga de detentora da verdade universal e na qual já muitos não acreeditam?!.
Com mais um pequeno empurrão da sua supina arrogância e fanatismo histérico, estigmatizado na pessoa do irascível demagogo Louçã, vão aprender que aquilo que propalam, não passa de arruaça bolorenta, landonas vazias de tudo, TRETAS E MAIS TRETAS, BOCA CHEIA DE SOLIDARIEDADES MENTIROSAS, e que há que respeitar aqueles que na práctica são homens de uma verdadeira esquerda moderna e democrática.
Não se fartam já, logo segundos após a derrota eleitoral, de invectivar Alegre, culpando-o do desastre ocorrido e que estava á vista de todos, menos daqueles que não o queriam ver.Os modelos trotzquistas do lobo-cordeiro Louçã, gastos até às gáspeas, bolorentos e passadistas, acabaram por ser desmascarados e a verdade Albanesa virá um dia ao de cima, contando como nas fileiras dessa espécie de partidelho se acolitam os mais exuberantes exemplos dos filhinhos da grande burguesia, porque a história, de facto, se repete: vão ali parar, porque é moda, e tão só por isso, exceptuando, claro, os poucos que ainda são genuinamente aquilo e que são muito ou tanto respeitáveis, como qualquer um que democraticamente defende os seus verdeiros ideais.
Agora essa rapaziada vinagrenta vai ter de engolir o sapo, a menos que se decida por um golpe de Estado, combinado no Martinho D'Arcada ou num outro lugar de luxo da capital e não numa qualquer tasca proletária da capital, para desdizer a letra com a careta.Fiquei feliz por ver Jerónimo de Sousa, homem honesto, educado, crdato e civilizado, ganhar direito ao respeito político; por Alegre ganhar um difícil segundo lugar, e, quase diriaum tanto triste por ver um homem que poderia acabar uma carreira política como um verdadeiro Senhor e, afinal, sair pela porta das trazeiras, mais do que humilhado, tudo graçaz à sua desmedida ânsia de poder ou quem sabe?..., mais qualquer coisa.... O Dr Soares não quis ouvir a voz da razoabilidade, convencido que o ovo estaria sempre na cloaca da galinha, que eram favas contadas, fascismo nunca mais, o povo e sereno, é só fumaça, e demais landonas e tretas, tudo fruto das funestas influências que o envolveram, fazendo-o acreditar que a Nª Srª de Fátima , afinal, não é balela e que o milagre se repetiria...
E o que fará agora a mandatária de Soares: a talentosa pirosona Coimbrã, Joana Amaral Dias, que é um verdadeiro génio da palermice convencida, do provincianismo luso-ateniense...?Será que os bloquistas a receberam de volta, como uma filha pródiga que confessará estar arrependida de se ter metido em tal alhada? Ser ou não ser, isto ou aquilo,..., ou coisa nenhuma...Lá se vai o tacho, querida menina!...Portugal tem um novo presidente e é obrigação de todos respeitá-lo, como temos feito com os antecedentes, mesmo que neles não tenhamos votado, porque assim é que é bonito, assim é que mandam as verdeiras regras da democracia que desejariamos conseguir almejar neste País de tontos que nós somos

domingo, janeiro 22, 2006

País cinzento



Outro dia de elições.
Outro dia de gastos que este pobre País não pode mais suportar.
Promessas, demagogia, ansias de poder!
E lá fui eu cumprir a minha obrigação neste dia, em que as previsões anunciavam ser de sol radiante e que, afinal, amanheceu cinzentão, como cinzento é o povo que vi votar: gentes de toda a espécie, vestidos de escuro, ar pobre, triste, ou falsamente sorridente pela sua incontornável ignorância, velhos, deficientes, desdentados, feios..., ...( o que os pontinhos deixam, como que implícito, facilmente se adivinha-se), em suma a tristeza de um povo que um dia almejou uma liberdade, que veio de forma inadequada, mal compreendida, enganosa,...um País a morrer, mesmo que à hora dos resultados sorria porque pensa que ganhou.
E, no entanto, continua a haver gente que ainda não percebeu que não ganhou coisa nenhuma para além do que está escrito no fado deste povo de tão tristes horizontes: os horizontes do empobrecimento, da incultura, da não saú de e educação, o povo que apertando a palma nela nada encontrará.
País à beira mar plantado num cinzento inexoravelmente definitivo como a fotografia bem expressa, um cinzento tão igual ao das almas tristonhas de quem não antevê melhores dias.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Existe um país...
Existe um país onde um cidadão de 81 anos, agora já esclerosado pelo tempo, que depois de ter cumprido 10 anos de mandato como Presidente da República e de ter estado 10 anos de molho decide candidatar-se novamente para salvar o país de um fantasma, passando por cima de um amigo de longa data.( amigo?: será que ele e os seus pares são amigos de alguém senão da sua própria arrogância e empáfia incontidas na ânsia de um protagonismo bacôco?!)
Existe um país onde três candidatos autárquicos com fortes probabilidades de vencer, estão indiciados por processos fraudulentos e uma outra candidata com mandato de prisão emitido e foragida no Brasil, tem toda a cidade a aguardá-la tal qual D.Sebastião.
Existe um país onde o único escritor galardoado com o prémio nobel da Literatura vive no país vizinho.
Existe um país de onde é oriundo aquele que é considerado o melhor treinador de futebol da actualidade, cujo seleccionador nacional é estrangeiro ( mas que pelo menos parece ser um homem capaz)
Existe um país onde o maior sucesso nacional do ano é um disco de originais de um músico que morreu há quinze anos. ( música de qualidade intrínseca e do ponto de vista harmónico-melódico é tão pobre como o mais pobre dos fadunchos popularuchos e pacoventos)
Existe um país onde o nome da mascote do principal evento desportivo alguma vez organizado começa por uma letra (k) que não faz parte do seu alfabeto.
Existe um país onde há 10 estádios novos em folha mas não temos sequer 2 ou 3 hospitais dignos do nome, mas mais se assemelhando a unidades de saúde do quarto mundo
Existe um país onde os polícias são os únicos que andam sem cinto (eles não têm acidentes?), que são constatemente desrespeitados por qualquer dito democrata de pacotilha, neste País de palmada nas costas, de desdentados e feios, de exigentes de tudo e de nada, de todos somos iguais: bons ou péssimos, de politiqueiros agarotados, corruptos e incompetentes... (eles polícias que têm de comprar as suas próprias fardas, coletes à prova de bala, algemas e outras coisas mais, verdadeiramente inacreditáveis, para além de receberem salários tão reles, que são um convite aberto à corrupção).
Existe um país onde há pessoas que não têm dinheiro para gastar no dentista, mas andam de Audi e Mercedes, têm dois ou mais telemóveis, 3 ou mais televisões, DVDs, videos,...GPS , para ir da Madragôa à rua da Betesga....
Existe um País que já não existe: uma terra de facilitismo, pouca vergonha, de ladrõezecos, de traficantes, de vigaristas de vão de escada..., mas de verdadeira Democracia e liberdades!!!! ó triteza infinda, ó pequenez de espirito..., Abril sempre..., País de profundíssima ignorância, analfabetismo e iletracia, País de quem outros, os verdadeiros europeus, se riem a bandeiras despregadas..., um País falsamente anti-racista, cripto-paternalisto-proteccionista de pretos, amarelos, vermelhos, ciganos, e de outras cores ou etnias, para onde vem parar toda a a espécie de gente, boa, má péssima, feia, porca ou repelente, com se isto aqui fosse um asilo final, que nem para os indígenas tem a menor das eficácias; País onde o desemprego grassa deixando os trabalhadores sem meios para pagar a prestação dos carros, da casa própria, dos DVDs, das férias nas Caraíbas ou no Brasil, pagas com dinheiro plástico, em trinta prestações, engordando uma Banca, cada vez mais gorda, etc, etc, etc,...uma dor de alma!!!
Existe um País onde ainda há quem não tenha uma retrete decente ou, o minimo dos mínimos: água canalizada, electricidade,...etc,....
Existe um País que ainda não percebeu que não tem ideais patrióticos e vota com se votar, fosse como o amor clubista, votando verde, vermelho, azul, etc..., Benfica, FCP, SPC ..., ignorando o que de facto é real e de todos os males o menor, Votar em quem oferece oum minimo de garantias nesta profunda confusão que por aí vai...
Existe um País onde a televisão é o melhor meio de deseducar, chefiada por bandos de autênticos gangsteres a quem mais convém que os cidadãos sejam ignorantes para poderem vender o seu lixo abominável,...
Existe um País que espero que no próximo domingo não faça a escolha errada, só porque não lhe agrada ter de se submeter à disciplina dos que pertencem ao mundo civilizado.
Existe um País, que porventura merece pagar pela sua ignorância e pequenez de ideias, a quem bandos de energúmenos, vivendo do parasitismo politiquento, gentes inqualificáveis, convenceram de que tudo se resolverá num contexto de um paternalismo Salazarista, que as desgraças só acontecem aos outros...
Existe um País de onde me apetece fugir para não mais voltar!
Existe um País que de facto , afinal não existe!
Existe um País à venda que ninguém quer comprar.
E esse país estranho e irrepetitível, é infelizmente o meu país.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Palhaço tristeDesarrmonia




















Palhaço riste
Óleo sobre tela(1.200cmx1.000cm)
Publicado sobre autorização do coleccionador proprietário.
Chiotti 2004
 Posted by Picasa

domingo, janeiro 15, 2006

A força da cunha portugo-congénita

Peça genuinamente Portuguesa num só infame acto.
Autor anónimo
Encenação: da malta fixe!!!

Ouvem-se as três celebres pancadas.
O Pano sobe lentamente e enquanto de dissipa uma mistela sonora dos hinos dos clubes de futebol falidos da super-liga começa-se a ouvir ao longe em gritaria histérica, misturada com a melodia "Grândola Vila Morena":
...MFA;MFA;MFA,...O povo é quem mais ordena...Grandôla vila... mor...,tal e tal,...tal....,

A cena passa-se numa pastelaria de luxo, logo à hora do pequeno almoço, com os protagonistas a procurarem lugar para a primeira refeição, na mesa mais recatada do estabelecimento.
Falam enquanto se dirigem ao lugar escolhido pelo seu aparente aspecto de quase total privacidade

Empresário:
- Bom dia Sr. Eng., há quanto tempo??!!!
Ministro:
- Olha, olha, então está tudo bem?!
Empresário:
- Eh pá, mais ou menos, tenho o meu filho desempregado! Tu é que eras homem para me desenrascar o miúdo
Ministro:
- E que habilitacões ele tem?!
Empresário:
- Tem o 12º completo
Ministro:
- O que que ele sabe fazer?!
Empresário:
- Nada, sabe ir para a Discoteca e deitar-se às tantas da manhã
Ministro:
- Posso arranjar-lhe um lugar como Assessor. Fica a ganhar cerca de 4000, agrada-te?!

Empresário:
- Isso é muito dinheiro, pá! Com a cabeça que ele tem, era uma desgraça! Não arranjas algo com um ordenado mais baixo?!
Ministro:
- Sim, sim, um lugar de Secretario! Aí ainda se ganham 3000
Empresário:
- Ainda é muito dinheiro! Não tens nada volta dos 600/700???
Ministro:
- Eh pá, isso não, para esse ordenado, tem de ser Licenciado, falar Inglês e dominar Informática.

O PANO DESCE LENTAMENTE.

Na plateia, ouvem-se aplausos estrepitosos entre gritos histéricos de uma multidão, onde, desde esquerdista, direitistas,antigos bufos da pide, desempregados, putas, mulheres a dias, funcionários públicos, ministros secretários de estado, sub-secretários, contínuos, inspectores disto e daquilo, etc. ... e toda uma indescritível poalha de outors patetas..., dando vivas à democracia, sempre, 25 de Abril sempre, viva o MFA, enquanto numa das filas um rancho fólclorico alentejano entoa a celebre canção, oscilando muito lentamente de lado para lado os seus corpinhos campestres, ao ritmo da mesma, pescoços atados ass lencinhos vermelhos de jarretas pioneiros,...

Reformados , mas pouco!


REFORMADOS ACTIVOS
SOMOS OS MELHORES
País dos Reformados
Ao menos num capítulo ninguém nos bate, seja na Europa, nas Américas ou na Oceânia: nas políticas sociais de integração e valorização dos reformados.
Aí estamos na vanguarda, mas muito na vanguarda.
De acordo, aliás, com estes novos tempos, em que a esperança de vida é maior e, portanto, não devem ser postas na prateleira pessoas ainda com tanto a dar à sociedade.
Nos últimos tempos, quase não passa dia sem que haja notícias animadoras a este respeito.
E nós que não sabíamos!
Ora vejam:- o nosso Presidente da República é um reformado;
o nosso mais "mortinho por ser" candidato a Presidente da República é um reformado;
o nosso ministro das Finanças é um reformado;
o nosso anterior ministro das Finanças já era um reformado;
o ministro das Obras Públicas é um reformado;
gestores ilustres e activíssimos como Mira Amaral (lembram-se?...) são reformados;
entre os autarcas, garantiu-o o presidente da ANMP, há "centenas, se não milhares" de reformados;
o presidente do Governo Regional da Madeira é, entre muitas outras coisas que a decência não me permite escrever aqui, um reformado;
e assim por diante...
Digam-me lá qual é o país da Europa que dá tanto e tão bom emprego a reformados, que valoriza os seus quadros independentemente de já estarem a ganhar uma pensãozita, que combate a exclusão e valoriza a experiência dos mais (ou menos...) velhos!
Ao menos, neste domínio, ninguém faz melhor que nós.
Ainda hão-de vir todos copiar este nosso tão generoso "Estado social"...
De, Joaquim Fidalgo, a quem peço desculpa por me servir do seu texto para publicar as poucas vergonhas que para aí grassam.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Finalmente a paz



Finalmente paz


Lá longe de tudo
Onde o tudo, ou o pouco
É muito longe
De tudo

No cume da montanha
Onde há o silêncio necessário à paz
Em noites sem luares incómodos

E onde o meu teto é um negrume
Salpicado de filigranas
De ventos norte, sibilinos, que nos golpeiam

E vergam giestas secas, afagam alcantis
Onde se acoita a águia de majestoso porte
E o lince perseguido pela crueldade
Da ignorância
Há uma sinfonia breve

Ribombos de trovão
Piar de mochos
Uivar de lobos
Gemidos de lince quase extinto e perseguido
Águias majestosas que teimam em voar
Altivas, majestoso porte.


Lá longe
No cume da montanha
Há finalmente a paz
Que sempre procurei
Em noites sem luar.
Lá longe
Na montanha
Que é só minha
Do vento
Do uivar dos lobos
Do piar dos mochos
Da minha necessária solidão
Há simplesmente
A paz que sempre procurei


quarta-feira, janeiro 11, 2006

Lisboa desleixada




Lisboa não é de facto uma cidadezinha feia!
É pena é que esteja tão abandonada.
É só passar por alguns belos recantos escondidos nos meandros das ruelas "trés typiques",que os parolos estrangeiros tanto parecem apreciar, que mais não são do que o espelho de uma misériazinha ancestral comezinha e constatar que a beleza não reside só num faduncho meloso, numa luz inegualável, nem na imúndice pobretanas deste nosso sítio meridional.
Gostaria que não fossemos uma espécie de magrebinos armados em europeus e tratássemos melhor do pouco que temos, mesmo sem ser monumental.
Então esta nossa Lisboa e o resto da paisagem que é este nosso País velho de tantos séculos, valeria a pena ser amado.


Em que estará ele a pensar?
E em que pensaria Rodin quando o esculpiu?
Se fosse criado nos dias de hoje talvez me não rrepugnaria pensar que o famoso pensador
reflectisse sobre o destino deste mundo desvairado em que tentamos sobreviver.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Jerónimo, o candidadto em que tenho pena de não votar



Ora aqui está o exemplo da bondade, do espirito cordato, da classe, da excelente educação, concorde-se ou não com ele.
O PC, com ele à sua frente só tem de sentir orgulhoso, pelas suas indefectíveis qualidades quer de ponderação, de savoir faire, de anti-arrogância.
E não se venha dizer que é preciso ser-se Dr., ouescrever muitos livros... para se ter a qualidade, a inteligência e até a cultura de homens raros com este, homem de um indefectível valor no mais amploi sentido da palavra.
Jerónimo de Sousa devia ser o exemplo que Soares devia seguir à risca para não continuar a ser toleirão, arrogante e convencido e apropalar baboseiras mais do que gastas.
Depois de assistir à entrevista com Jerópnimo de Sousa na televisão e se comungasse nos seus ideais, seria seguramente o candidadto em que votaria, deixando para trás a grosseria paranóica de Soares, a raiva de cão ferido de Louçã, que não passa de um cripto burguês social-fascista- trotzquista encapotado e vá lá, porque não dizê-lo até a velha simpatia dos tempos de faculdade que ainda nutro por Alegre, outro perdedor, que infelizmente parece não ter nada para oferecer senão a coragem de se opor aos que sendo seus camaradas lhe puxaram o tapete.
Parabéns SENHOR Jerónimo de Sousa, por ser aquilo que parce sem dúvida ser : um homem decente, digno do respeito de todos nós, muitos dos quais nunca souberam o preço de ter calos nas mãos.
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terça-feira, janeiro 03, 2006

O exemplo que o Dr Soares devia seguir.

Presidenciais
Soares acusa grupos de comunicação social de apoiarem Cavaco

Mário Soares acusou hoje alguns grupos de comunicação social de terem "combinado" apoiar a candidatura de Cavaco Silva à Presidência da República e criticou directamente a linha informativa seguida pela SIC na cobertura da campanha eleitoral


É fantástico como a cabeça do Dr. Soares caminha a passos largos para o amolecimento:
Agora ou é paranóico, ou então está como os putos a quem roubam o pião sem saber como o recuperar.
O que irá ainda aquela cabecinha produzir até ao dia 22 deste Janeiro, de um Ano Novo que afinal parece começar tão velho como o que acaba de se finar.
Tudo como dantes como em Abrantes, senão pior como em Rio Maior!!!
Com franqueza, este Senhor está de cabeça completamente perdida com a perspectiva da sua inevitável derrota e o pior é que parece insistir na toleima de que é ganhador.
faz lembrar os velhos tempos dos grupinhos que conspiravam e até para ir fazer uma miseranda mijinha era preciso pedi-lo à voz pequena, não fosse o inimigo dar-se conta!
Hoje ao ver em entrevista televisiva o candidato presidencial do PCP, constato estar em frente de alguém em que é verdadeira a verdadeira simplicidade, a bonomia, a sinceridade, a inegával aparência um bom homem, cordato, bem educado e de uma franca e indesmentível simpatia, por parte daquele lider do PCP, Jerónimo de Sousa, personagem digna do nossso mais alto apreço,mesmo não concordando com os seus ideais, pergunto-me porque não aprenderá o Dr Soares o exemplo daquele homen que desconhece a arrogância, a toleima e outras coisas mais em que o referido candidato do PS é especializado.
Enfin! Coisas que não mudam com um simples virar de ano no calendário

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Um jantar em casa que acabou no restaurante

Mais um ano de todas as nossa vidas se gastou, se consumiu, com ou sem sentido
Mais um tempo que não volta atráz, um tempo que nos foge, que nos embacia e nos envelhece o olhar.
De volta à rotina da casa, com todas as beneces e martírios que esse facto acarreta consigo(CADA UM SABE DE SI), com críticas e mais críticas, e ditos, por vezes inconscientes, mas bem desgradáveis, tantas vezes, tão desagradáveis, injustos e inoportunos (..., só tens graça para os amigos e outros dislates, que compreendo e a que já vou estando habituado, mas sem saber bem qual a sua causa primeira- ditos só da boca para fora, sem pensar:..,espero bem..., ainda acredito perlo menos na amizade...),volto à intimidade profunda da minha reflexão mais íntima, da minha profunda tristeza de estar vivo, da angústia do passar dos dias, sempre iguais, sem referências de um porvir da tranquilidade que acho merecer, ao fim de tantos anos de dedicação, de entrega: de seriedade e honra de homem bom até.
E pergunto-me com uma fingida ingenuidade e até por isso, sem encontrar a resposta, que de antemão sei nunca encontrarei!
Há coisas, factos, emoções, que nunca se explicarão pela lógica racional, tão peculiares são a cada pessoa, a cada personalidade, a cada carácter, a cada estado emotivo, a cada qualquer coisa que se seja,...., como indivíduo filosoficamente único e irreplicável.
Desço à Terra mãe, à realidade dos dias de sol e sombra, de chuva, neve frio e calores abrasadores e chego então a mais uma descobera, a mais uma, como sempre é hábito chegar( se não teimasse em pelo menos tentar encontar razões, morreria), ...: a descoberta, que me liberta dessa tensão reflectiva que me angustia e agora me faz sentir diferente, talvez indiferente a esses dislates que sobre mim se abatem, qual tsunami impiedoso de voz tronituante que tento não ouvir, mal a porta de entrada da casa onde vivo... vegetal... se fecha. ( todos os dias aprendemos a enriquecer a nossa ignorância.
Choro, peno, sofro até, para dentro da minha alma apodrecida pelo sofrimento das minhas angústias do viver talvez imerecido e dou de caras com essa descoberta de coisas, aparentemente novas, e, que, afinal,... afinal, são tão velhas; coisas , emoções, estesias e factos de que nem suspeitava pudessem existir na minha consciência emocional mais profunda, pela desconfiança que nos dias que correm não evitamos epitelizar à nossa volta, neste mundo de permanente intriga e hipocrisia e que nos tocam profundamente, nos desperta, dizendo-nos que, afinal, estamos ainda vivos (e porque não merecidamente) : que há muita gente por aí, de quem vale a pena gostar à primeira, ou seja, ao primeiro golpe de asa.
Refiro-me ao que senti hoje, depois de um agradável jantar entre amigos, diria até, companheiros de armas, de caminhos de profissão, de onde sobressaíram duas almas, diferentes , porque são diferentes: uma delas, uma doce jovém, competente e devotada profissional de cardiologia pediátrica, a quem devo a salvação de um ente a quem quero bem, a outra, pela revelação da invejável doçura que mostra no casamento com um meu amigo expresso e que encara nessa ligação, apostando forte, ao ponto de o transformar num homem diferente; não diria melhor: mas diferente.
Então?... Porque não melhor?!
A todos eles, e especialmente a essas duas figuras, agradeço a pulsão emocional que me leva a escrevinhar estas linhas soltas, num fervilhar da emotividade celerada e tornada mais activa pelos eflúvios de um vinho abundante e de grande qualidade (a fazer inveja ao estúpido chauvinismo fracófono, que pensa ser filho dilecto de Baco; que descobriu que o vinho foi inventado por Franceses; que os Franceses é que descobriram a cebola de Setúbal e outras aleivosias franco-chauvinistas quejantes...), prova de que me não são, nem nunca serão, pessoas que passam na minha vida sem significar o episódio de mais um que se pensa conhecer, mas sim alguém que nos desperta mais, se é que é possível dizê-lo, um sentimento de amizade franca e imediata, desinteressada e livre.
Afecto talvez! Assim, tão simplesmente.
Hoje foi um dia para não mais esquecer!
Acho que finalmente vou dormir em paz!

terça-feira, dezembro 20, 2005

A ainda jovem raposa e o velho coelhinho enrugado


Tinha prometido a mim mesmo nunca mais perder tempo com estes gajos da política, mas francamente, hoje, depois de ter ouvido parte do debate entre estes Senhores (...cansado desliguei e fui para outra onda, fui fazer algo de mais útil, porque o meu tempo é precioso...), fiquei a pensar que o nosso velhadas perdeu completamente , quer o juízo, quer o combóio para Belém. E o mais grave de tudo é que nem sequer dá pela diferença que o separa do mais novo: léguas e léguas..., anos de luz e de bom senso.
Medo indisfarçável é o que paira no ar que Soares respira...
Está crispado, tenso, arrogante, agressivo como aquele que ataca em alta voz por perder a razão.
E o problema é tão simples!
Devemos saber retirar-nos com a dignidade que ainda nos sobra, seguindo o exemplo do velho cirurgião, que tremendo já das mãos, incapacitado para dar o seu melhor, tem a coragem de encarar de frente a cruel realidade do passar do tempo e dizer: basta, e afasta-se tranquilamente, para gozar em paz o pouco que teoricamente de vida lhe pode ainda restar.
De facto, Soares está puído pelo passar dos anos e regressar à frescura do passado é uma impossibilidade comum a todo e qualquer homem, simples mortal, o homem que envelhece.
O problema é saber como encarar a velhice de cabeça erguida, mau grado as rugas que lhe engelham a pele.
E Soares não sabe de facto!
Não quer perder, nem que seja a feijões, porque do seu discurso ressalta, nas entrelinhas, a ideia de que todos nós temos para com ele uma dívida que só existe na sua cabecinha, onde os neurórios vão impiedosamente amolecendo pela apoptose dos tempos.
Juízo e cabeça fresca!

O Natal, os Políticos e o Portugal submerso dia a dia



O Natal está à porta e as recordações trágicas de uma guerra que parece estar definitivamente esquecida, até dos manuais escolares o que é verdadeiramente inaceitável e ignominioso, como se nada se tivesse passado, regressam impiedosamente às nossas memórias, vindas da lonjura de uma época de crueldades sem par em que até pessoalmente nos vimos envolvidos e que desejariamos nunca mais poder rememorar.
Na verdade, quando nos lembramos desse passado, ainda não muito longínquo, em que nos foram roubados os melhores anos da nossa vida, mandando gerações inteiras (salvo os habituais filhinhos protegidos do sistema à boa maneira da cunha Portuguesa), para uma injusta e inqualificável guerra colonial, em nome de não se sabe o quê, talvez um propalado amor pátrio, numa exaltação fanática, de cariz profundamente fascista, onde vimos morrer, tantas vezes, jovens, do melhor que este miserável País tinha como filhos e que o regímen Salazarista, tratava como bastardos, como carne para canhão, na defesa do que esse poder, então vigente, chamava de sagrado solo Pátrio, exultamos de um misto de saudade das fortes amizades ali acontecidas para sempre, alicerçadas de uma forma definitiva e irrefutável, na dor, no companheirismo e na solidariedade da sobrevivência, e por outro lado, espumamos de raiva incontida, quando assistimos aos discursos demagógicos, provocadores de uma incontrolável volição, ditados pelas bocas da grande maioria dos políticos do agora, que nunca experimentaram nem a amargura da distância, nem o medo, ou o mais ínfimo sentimento de irmandade, entre camaradas verdadeiros, em tão difíceis circunstâncias: as do combate de guerrilha, nem qualquer outro sentimento alicerçado numa solidariedade verdadeira, tentando nos seus discursos mandar para o esquecimento, com desonra, esses milhares de mortos e mutilados que dessa hedionda e injustificada guerra resultaram, como se nada se tivesse passado ou nada de menor importância tenha acontecido, então explodimos, por não ser mais possível suportar tais desaforos.
E é vê-los guerrearem-se, não em perigosas picadas africanas, mas nas lutas por um poder e desmedida ambição, pela repleção dos seus bolsos sem fundo, ou pela ganância do poder pelo poder, força que lhes confere uma vida verdadeiramente ignóbil de desrespeito pelos que nada têm, tantas vezes para um pequeno pedaço do digno pão que cada honrado homem merece.
É só ligar a televisão e ver como eles, agora candidatos à Presidência de um País já quase moribundo se defrontam, como se vendem como Judas Iscariotes se vendeu, (cito as fontes da fabulação religiosa, tão só como estórias bem ficcionada), a troco de éfemeros poderes, neste mundo de tão breve passagem; e sorrio perante a pequenez dessas mentes que só desejam protagonismo, poder e público reconhecimento de capacidades e poderes, em que já ninguém acredita e que de nada valem perante a inexorabilidade dos seus determinados fins: a morte sem honra nem glória.

E há até quem invoque qualidades de político profissional, não se dando conta de que já ninguém o leva a sério e, sobretudo ele, mais até do que os outros, deveria ser quem deveria estar de boca fechada por ter chegado a hora e a idade em que a sabedoria da velhice deveria ter feito dele um tanto sábio, o que infelizmente se constata não ter acontecido.
Dos outros o que dizer?
Vira o disco e toca o mesmo!
Uma palavra de respeito, pelo menos, é o que se exige para tantos mortos, em nome da ingénua coragem e de toda uma geração jovem, que em terras distantes de África, deixaram as suas vidas, fruto da inteira responsabilidade de outros políticos, os de então, também iguais aos de agora, afinal, nem melhores nem piores, muito embora as cores com que estes do actual exibem as sua bandeiras, não tenham a mesma identidade cromática desses do passada, mas que no fundo, são as mesmas cores essenciais de que são compostos os arcos íris da sua perversidade, da sua incontestável e teimosa e comprovada incapacidade, quer por imbecilismo, quer por, espertalhice pacóvia e interesses obscuros, fingindo lutar por um Portugal melhor, onde a palavra solidariedade com que enchem as bocas devesse ter exactamente o significado expresso no simples diccionário do Torrinha.
Soares,...Louças, ... Alegres,... Jerónimos,... Cavacos,... Portas, ...Sócrates,...Durões, ..., mais este, mais aquele, pouco importa,...encapotados e prepotentes Salazarzinhos de meia tijela, etc., … e quejandos energúmenos dos partidos, das Opus, das Maçonarias, ou de outar organizações em que eu nunca participaria, porque só eu sou dono de mim próprio..., em suma toda uma casta de bandos de maltrapilhos etrapaceiros, totais desconhecedores da palavra honra, respeito, solidariedade…

Uma coisa não desconhecem eles:
A mesquinhez da inveja, do mau perder, da prepotência, da ganância,da corrupção mais descarada, do estar-se nas tintas para a desgraça dos outros, etc etc, etc e mais as merdas que do mais vil se possa e não possa imaginar,
Desta reflexão resulta que sinto uma quase incontrolável vontade de desaparecer daqui, de perder a nacionalidade em favor de uma qualquer outra que seja decente; procurar um mundo onde haja pessoas que valham a pena, porque por aqui, o stock está, ou será que esteve sempre esgotado!?

Pena é que a vida mo não tenha permitido fazer em tempo apropriado.
Penso nos Natais de miséria que para aí virão para a maioria de nós e dos nossos descendentes.
Claro que nem todos pagarão a mesma factura, pois continuará a grassar o que parece ser racialmente congénito: um conjunto de pirosos portugas engravatados e imbecilóides, mas espertalhões como ratazanaz de cano de esgoto (nisso somos campeões Olímpicos), que nunca passarão de uns parolos deste ignorado canto do mundo, mas que poderão viajar em TGVs e embarcar em OTAS, nem que seja tão só para chegar a Vila Franca do Campo, ou mesmo à gloriosa cidade Invicta.
Eleições? …., Referendos, … mais eleições? … Ah, não! Basta, escória de malfeitores, de trapaceiros… etc… trupe de bastardos!

Vamos portugueses de BEM: bebam tino, comam pataniscas enquanto ainda há, sorriam, mesmo sofrendo, que foi para isso que fomos predestinados, mas pelos menos, tenham a coragem de se cagarem nesses bandos de parasitas politiquentos,desde a franja saida de uma direitinha merdosa, à baínha da mais miseranda esquerdilhice, onde ainda grassa o virus de um cripto social-fascismo, quer Estalinista, quer Trotzquista, franja esta, cheia de rapazolas da mais alta burguesia, bocas a feder mentiras sobre direitos de trabalhadores, que só os seus lábios as pronunciam, porque a alma deles o que mais quer é o bem-bom, e sobretudo, nem sequer liguem a Televisão à hora em que todos estes energúmenos mostram as dentuças sorridentes, como se fossem os Anjos Salvadores de todos nós.
Só a rir!
Eu?
Votar?
Nunca mais!
E se um certo tipo conseguir aldrabar a malta, uma só vez mais que seja, garanto que nunca mais pagarei um centavo de impostos e considerarei que sou eu que estou enganado, que os Portugueses é que sabem, e que o que eu mereço é ser lapidado em praça pública.
Garantido.

E já agora um conselho: comam-se uns aos ourtos Srs Politiqueiros, que eu vou aproveitar a noite de Natal, para a partir dessa data não ligar mais a TV e nesse fim de dia de consoada comer em paz na companhia de gente boa, a minha gente, uma simples posta de bacalhau com batatas e couves, porque não sei se em 2006 ainda o poderei fazer.
Ah! A propósito de comer, já me esquecia de comentar o que tanto anda na boca do mundo: ninguém se cansa de repetir aquela estória do Cavaco a comer bolo-rei, mas afinal ninguém reparou quando o Soares da voz de cana rachada e ainda por cima semi-fanhosa, comia o seu bolinho de velas de bocarra aberta, como um verdadeiro borgeço, sabendo ele por demais, que isso é má educação.
Muito má educação, para não dizer educação nenhuma.
Lá sabe o povo quando diz:
O pior é: quando o fato se rompe, logo se vé o cu de fora, o que para os que não gostam de uma linguagem tão metafórica, equivale a sugerir: a porra é quando o verniz estalapuxa o pé para a chinela.
Tenho dito.
FELIZ NATAL PARA TODOS OS PORTUGUESE QUE O MERECEM TER.
.



Feliz Natal e melhor 2006

Vindo de um velho amigo, em distantes terrras da Flandres.

Citando um velho adágio Flamengo:

Alguns podem dizer-lhe que o admiram
Outros podem invejá-lo-ão
Alguns poderão ser seus amigos
Outros poderão somente dizer-lhe que o são.
Faça o melhor que puder por todos, todos os dias.
Isso é o mais importante e o que mais conta.
Tenha um bom Natal e um feliz Ano Novo.
Porque assim o merece.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

finalmente o orgulho de ser Português



Aqui está alguém que todos os Portugueses deviam conhecer, neste País onde quem tem valor é rejeitado em favor dos interesses mais obscuros.
Trata-se tão somente do jóvem guitarrista Joel Xavier, um génio bafejado por um incomensurável talento, que aos 15 anos começou a tocar por autodidactismo e aos 31 é inconstestavelmente considerado o terceiro melhor e mais talentoso guitarrista do mundo.
Neste preciso momento e desde que o encontrei por acaso, num concerto ao vivo nos claustros do Convento de Mafra, que o ouço quase compulsivamente, extasiado pela maravilha da sua smúsica e da sua indisfarçável qualidade.
Claro que o recital foi passado em horário não nobre na RTP 2 ( é inconcebível mostrar este fantástico artista a horas próprias para estar já a descansar de mais um dia, do dia a dia de trabalho duro), porque esses horários nobres são dedicados a programas miseráveis de deseducação, sobretudo pela SIC e mais ainda pela incrível TVI, ou por tantos outros canais em língua Portuguesas que só vendem lixo e engordam os patrões de tais estações.
De resto o que se pode esperar neta nossa Terra de abandono de compadrio e de desepero?
Quem vale alguma coisa ou tem, como ele, a coragem de fugir daqui, é digno de todo o nosso respeito e admiração pela sua ousadia de enfrentar um mundo desconhecido( ele conseguiu o reconhecimento universal,para alegria de todos nós). ou então, acomoda-se na mediocridade de se deixar ficar, numa existência vegetal consumindo os dias desta vida tão fugaz numa deseperança aterradora, nesta terra de deseperança.
Hoje sinto por ele o imenso orgulho de ser Português, porque, de quando em vez vamos tendo notícias de gente de que não podemos deixar de nos orgulhar.
Joel deve ter sindo bafejado pela mão de uma divindade, porque a sua forma de expressão musical e a sua técnica são quase impossíveis de admitir num rapaz, que em vez de parecer ter duas mãos e dez dedos, mais parece ter mil, como se fosse um fantástico e talentoso miriápode.

terça-feira, dezembro 13, 2005

O regresso do pesadelo da guerra




As portas da aeronave fecharam-se e após o discurso habitual de segurança a bordo, ouviu-se a voz do comandante anunciar que o voo para Lisboa sairia de seguida:
- Senhores passageiros, dentro de momentos descolaremos do aeroporto de Bissalanca. O tempo na rota está bom, e contamos chegar a Lisboa dentro de aproximadamente cinco horas.
Com a mão esquerda, a única que lhe permitia um gesto titubeante, no meio do branco do gesso que lhe envolvia os membros superiores, o tórax quase imóvel pela dor, emborcou rapidamente aquele primeiro farto whisky enquanto o avião rolava na pista e se elevava suavemente. Pouco depois pediu mais outro, e mais outro para se toldar. Ao lado, duas velhas mulheres, de cor colonial queimada de um esverdeado macilento, distinguiam-no com um olhar piedoso. No corpo so sinais dos graves ferimentos que sofrera.
Sem falarem, ele podia conjecturar que pensariam... "Coitadinho, foi a guerra, é mais um
!"


Nada se compara à indescritíval paz de um pôr do sol numa paraia sem ninguém.
A sinfonia eterna da rebentação; um grito de gaivota, um sussuro da brisa! nos ouvidos cansados de perversidades, de egoísmos!
O coração explode de emoção na presença da beleza sem par destes espaços raramente encontráveis.
Tudo o resto deixa de ter importância e o que nos fica é a beleza suprema de estar ali e a sensação da nossa pequenez

sábado, dezembro 10, 2005

Mesmo tendando não consegui enviar este mail à JAD

A Joana Amaral Dias, a menina loira do cabelo escorrido, com aparência de pouca hidratação, anjo da guarda e mandatária do diz e desdiz Dr Soares, afinal, como quase todos os demais Bichinhos Carpinteiros ( há neles excelentes e aplaudíveis excepções), tem medo dos comentários.
Compreendo que ela e muitos dos outros bloguistas amigos ou conluiados seus, devam mandar para o lixo as indesculpáveis ordinarices e aleivosias que lhe escrevem quando lhe comentam os seus postes,que, e para falar verdade, desculpem-me lá ela, A JAD, e eles, por vezes,aquilo que escrevem nem sequer têm oprtunidade, qualidade minimamente interessante ou até justificação plausível: talvez acontecendo só pelo simples pelo vício de escrevinhar, de estar presente, de, enfim, se salientarem neste espaço virtual, como crianças que mostram as suas gracinhas, não amiúde despropositadas; ás vezes até maçadoras.
Mas tudo bem, como para com as cianças é tão frequentemente necessário ser-se complacente, deve-se, todavia sê-lo, mas com limites: dentro do inteligente, do curioso , do bem dito, do aceitável, do inteligentemente agudo e com um minimo de graça! (muito embora ninguém seja obrigado a visitar o Bicho Carpinteiro, e a quem não gosta, só resta evitá-lo, ou ir dar uma volta para outro lado )

Agora, refugiarem-se: ela e tantos deles (não sei se a decisão de impedir coments foi maioritária e democrática) num incompreensível bloqueio à opinião, parece-me fruto de uma cobardia injustificável.
Assumam pois, sujeitem-se, pois quem anda à chuva molha-se: ela sobretudo, com os seus compromissos políticos tão dúbios, os seus oportunismos políticos, e ponto final.
Portugal, não pode continuar a ser palco ou quinta de esquerdilhices patetas.
Ganhe ela juizo e tenha a coragem e dê de uma vez por todas a cara pelo bem colectivo e não se sirva de idiossincrasias idiotas para levar o seu pequeno bote a porto seguro.
Acredite, menina JAD, que estamos todos fartos das suas atitudes da sua adolescência mal resolvida.
Não entre na história da moda que sempre exitiu, de se ser esquerdista porque é simplesmente moda,...moda.

Aliás, sempre assim foi: os filhos da alta burguesia cripto- social-fasço-troptzquista, sempre se Che Guevarizaram ( coitado de Che), porque é moda; porém agora é uma verdadeira doença.

É só dar um salto aí por faculdades, onde no meio de jovéns que estudam para um futuro melhor , deles e dos seus concidadãos, vegetam esses pimpões, que se topam à distância...
Tenha a menina de Coimbra e tivesse essa garotada pseudo-intelectual que por vezes nem multiplicar ou dividir sabe, entre outras deficiências, respeito pela poética figura desse imortal herói da revolução.
Estude, estude muito, leia, cultive-se, não se deixe estagnar no balofismo da sua pseudo cultura em que muitos não acreditam, respeite, seja bem educada, seja humilde como as pessoas que valem alguma coisa, não se deixe embarcar em oportunismos efémeros, não se comporte como um Pierino Gambie da politiquice, seja racional e realista.

Seja uma patriota sem bacoquismo provinciano, desça à terra real onde os problemas são reais.
Como vê, eu tenho coragem para lhe dizer quem sou: basta ler o meu endereço, que em vão lhe tentei dar a conhecer, não fora a dificuldade que se me apresentou e que me parce insolúvel: com palavras passe...chaves criptadas ...etc.....
Eu, como tanta gente sem protagonismo que para aí anda na sombra dos dias cinzentos porque passamos, empenhámo-nos contra o fascismo no tempo em que para isso era necessário ter coragem e não agora neste tempo de valentias parolas, em que vale tudo, porque ninguém é reponsável por nada; por coisa nenhuma.
E já agora deixo-lhe um motivo de reflexão: com tantos opinadores de esquerda, para onde se evaporaram pides e bufos, se foi a esquerda (que esquerda???) que sempre mostrou engordar mais.

Que eu saiba, a massa humana, não se volatiliza, não sersove em plasma como a matéria atingida pelo impacto de um laser fotodisruptor; quando se funde com a terra mãe, deixa sinais indeléveis da sua presnça: pelo menos deixa na cova: osssos ou restos deles, ...
Pense nisso, menina Joana pateta, pense bem, pense muito!
Para bom entendedor meia palavra basta...
Quer discutir os problema que a todos afligem com seriedade?.
Pois bem, tenha coragem : faça-me esse desafio e não perca tempo.
Atire-se a mim, que eu cá estou para lhe responder.

De doutorados plásticos estamos fartos.
Do que precisamos, é de gente válida que pense naqueles que sofrem as consequências das privações que lhes foram infligidas pelos bandos de politiqueiros, de maçõns, de católicos..., disto ou daquilo,destes ou daqueles, que neste desgraçado e moribundo País vivem à grande com total impunidade dos seus irresponsáveis actos.
Quer discutir assuntos da sua especialidade, que nesse país que tanto parece odiar, tanto aprendeu: os EUA,?, ou prefere voltar às origens, à terra mãe do homem, do sr Leon Trot...., que os sociais-fasciats soviéticos, estalinistas /leninistas liquidaram a golpes de machado, na sua pobre cabeça no final da cena aberta como o peito de um frango no talho do talhante?
Gostava muito de um dia ter uma longa e séria conversa consigo, para melhor podermos esclarecer tudo isto, para ver se o defeito, afinal é meu,s e sou eu que estou enganado ou sofro de um profunciado e profundo sindroma de iletracia...,.

E não pense que tenho receio, nem que o que aqui lhe digo, o faço por ressaiviamento; tão só por auto-coerência.
Sabe, minha boa menina, quem não deve , não teme!

Mande os eus díscolos fazerem-me uma espera que eu próprio lhes darei o respectivo tratamento" democrático", como costuma deixar nas entrelinhas que escrevinha.
Se a menina usasse pincéis lhe diria que pintalgava mal; muito mal. Mas como o seu pincél é a caneta ou o processador de texto também lhe digo que só escrevinha inutilidades

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Os pequenos cantores de Carcavelos

Cerca de cinquenta crianças, quais anjos descidos à terra de um imaginário de perfeição, entre os seis, sete e os três anos, vestidos de jardineiras de um azul jeans desbotado, blusas de quadradinhos, gorros e cachecóis vermelhos cantaram hinos de Natal e temas populares, na escadaria de um hotel, para um grupo de médicos aí reunidos no seu congresso anual.
Que momento de incontronável magia.
Que suavidade me invadiu o coração e me pacificou as angustias de dias conturbados.
Que emoção senti ao ver aquele doce balancear dos seus corpinhos ao ritmo dos cânticos e que doçura emanava desse momento inesquecível.
Parecia ver ali também aquela coisa pequenina e adorável, que é a minha neta.
E como foi bom sentir amor e enternecimento por aquelas almas pequeninas e ainda desconhecedoras deste mundo louco em que vivemos.
E que pena sinto que o Natal não seja todos os dias e para todas as crianças de todo o mundo, especialmenete para aquelas que mais privadas estão de tudo, ou de quase tudo, por razões que este mundo de desenfreados interesses teimamem em não alterar.
Será que algum dia os responsáveis por guerras, por misérias inflingidas e sofrimentos despiedados a outros, só interessados nos seus benefícios, recebam o merecido castigo?
Duvido!
E tenho pena de que assim seja: que em vez de amor entre os homens pouco mais haja do que discórdias, egoísmos e crueldade.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

aniversário dela, da minha companheira de tantos anos



Hoje, como ontem, anteontem e assim pelos tempos fora, alguém festejou ou festejará o seu aniversário: uns com simpatia e agrado, outros assumindo uma atitude de forte negação e até tristeza por esse dia tão especial, o dia em que viemos a este conturbado mundo, já que para estes, fazer anos, não representa mais do que um passo em frente em direcção ao fim inevitável de todos nós.
Mesmo assim, e contornando a obstinada oposição da aniversariante, renegando o prazer desse dia, consegui reunir a família, e à volta de uma mesa e de um agradável e saboroso jantar, discutir de tudo um pouco e aperceber-me de como é imenso o amor que nutro por todos eles e particularmente pelas crianças em geral, ali todas representadas na dulcíssima figura delicada de uma adorável neta minha a quem quero mais do que à própria vida.
Morrer depois, pouco importa!

domingo, dezembro 04, 2005

O burguesão trotzquista

Do jornal o Público de hoje

Presidenciais
Louçã diz que Sócrates parece "resignado" com vitória de Cavaco.

O candidato presidencial Francisco Louçã disse hoje em Guimarães que o primeiro-ministro José Sócrates parece "resignado" com uma vitória do candidato da direita, Cavaco Silva.

De facto, se assim é porque anda a perder tempo este imbecil fardado de esquerdista radical e que não passa de um cripto social-fascista encapotado de salvador da classe operária.
Porventura já esqueceu a forma arrogante como tratava o chaufeur do seu paizinho, quando o pobre homem o levava ao liceu?
Há cada safardana que Deus nos livre!

Butelo das terras frias transmontanas



É dever de qualquer português que se preze, se por acaso nunca teve o privilégio de lhe tomar o sabor, uma vez que passe pelas frias terras de Bragança, o procure degustar.
Trata-se de um tradicional e famoso enchido, dificilmente encontrável fora do Inverno e daquelas paragens, produto digno da mesa de um Rei e que se come com as célebres cascas, que mais não são do que uma também saborosissíma variedade de vagens secasriscadinhas de um feijão d0 qual desconheço o nome.
Uma verdadeira delícia, só encontrável por aquelas longínquas paragens.
Há uns maduros cá pelo sul, que têm a felicidade de, por vezes, terem acesso a tal iguaria, com a vantagem de aproveitarem a oacsião da empanturradela para o fazerem na companhia de gente que se quer muito bem.
Se algum dia tiverem oprtunidade de comer tal petisco, por favor não a desprezem.
Conselho de amigo.

sábado, dezembro 03, 2005

Ele fala , fala, fala e não se cansa, mesmo que já ninguém o ouça



O que é que o esclerosado Senhor, na fotografia, à esquerda estará a dizer ao próximo Presidente da República?
Estará ele a pedir desculpa pelos desmandos de quem não sabe perder, que andou por aí a vocalizar, com uma bolinha de Charcot entalada na goela( deve sentir-secomo um puto que perde ao pião), que mal o deixava engulir a saliva, pela derrota anunciada?
Ou repetirá ele, à exaustão, como um disco partido de caduco vinil de 78 rotações, numa atitude de quem já não tem argumentos válidos, como num pensamento idioconcêntrico auto criado, como quem repete obcessivamente uma fala de teatro sem espectadores, que, bem podem os portugueses bramar, que ninguém lhe tira da cabeça, nem que lha rachem à paulada, que ele é de facto a única e última esperança para a salvação do náufrágio nacional?
Coisas que a idade nos faz: repetir vezes sem conta, ditos e mais ditos, chavões, tiques demagógicos, zangas de maus perdedores,saudosismos bacôcos, enfim, discursos e discursinhos sem sentido, sem miolo, sem conteúdo válido como sumos aguados sem sabor, que ninguém já quer ouvir!
E é pena, porque se tivesse estado muito quietinho, a escrever, a ler,àgora neste tempo sentado à lareira no conforto da saua cas, com os pés bem quentinhgo, embrulados numa manta, gozando os seus saudáveis oitenta e tantos anos, que espero sejam bem longos, talvez não tivesse perdido a indelével importância e estima de muitos portugueses de bom senso, em vez de em Janeiro próximo se vir a tornar alvo da chacota e do virar de costas de muitos, que até agora, o parecem adular!
É que o povo é sábio: Rei morto, Rei posto.
E isto é uma verdade incontestável, à qual nem ele, o Rei Soares escapará.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Onde quer que estejas, meu amigo Sebastião, a minha saudade eterna

Absorto, ouvia o zunir do vento e o trautear da chuva na vidraça do seu aconchegado escritório.
Noite triste, fim de um dia não menos deprimente e cinzento de Outono, recordava a dor que o seu grande amigo Sebastião sofrera no dia em que finalmente se separaram para sempre e ele o vira partir de Angola, com o temor estampado naquele seu inesquecível rosto negro, de uma ingenuidade indisfarçável, de nunca mais se voltarem a encontrar.
Como num flash-back, numa suave e ao mesmo tempo dolorosa recordação, podia agora rever o correr turbulento das lágrimas sentidas, de cuja verdade nunca ousara duvidar, que o seu amigo e companheiro fraterno Sebastião não conseguira estancar, a inundarem-lhe o rosto crispado de tristeza, nesse momento difícil do abraço cerrado final da inexorável despedida; num sofrimento atroz, como se o mundo lhe tivesse desabado sobre os ombros.
Ele, aquele garoto soldado, tinha só vinte frescos anos, na sua negritude gaiata e admirável, como a do chocolate amargo tornado doce, com o brilho acetinado e digno da sua pele escura, sempre fora o companheiro dedicado e amigo, que o guiara a salvo por terras vermelhas e poeirentas africanas, como se fosse um seu anjo da guarda, como se guardasse o seu próprio pai.
Que dor e que saudade experimentava agora, ao ponto de também ele não conseguir estancar uma lágrima de emoção, que sorrateiramente lhe ia correndo pela sua já envelhecida face.
Que saudade de mais de trinta e tantos anos sentia do seu amigo Sebastião e como o parecia agora rever no seu sorriso franco, quando conduzindo o jeep lhe dizia: meus tinente, pode estar descansado, que quando vortar nos puto, vai chigar inteirnho p’ra ver os suas mininas; o Sebastião vai devagar para não termos chatice…
Que saudades sentia do Sebastião, aquele seu verdadeiro amigo que a guerra lhe deu e lhe roubou.