quinta-feira, dezembro 29, 2005

Um jantar em casa que acabou no restaurante

Mais um ano de todas as nossa vidas se gastou, se consumiu, com ou sem sentido
Mais um tempo que não volta atráz, um tempo que nos foge, que nos embacia e nos envelhece o olhar.
De volta à rotina da casa, com todas as beneces e martírios que esse facto acarreta consigo(CADA UM SABE DE SI), com críticas e mais críticas, e ditos, por vezes inconscientes, mas bem desgradáveis, tantas vezes, tão desagradáveis, injustos e inoportunos (..., só tens graça para os amigos e outros dislates, que compreendo e a que já vou estando habituado, mas sem saber bem qual a sua causa primeira- ditos só da boca para fora, sem pensar:..,espero bem..., ainda acredito perlo menos na amizade...),volto à intimidade profunda da minha reflexão mais íntima, da minha profunda tristeza de estar vivo, da angústia do passar dos dias, sempre iguais, sem referências de um porvir da tranquilidade que acho merecer, ao fim de tantos anos de dedicação, de entrega: de seriedade e honra de homem bom até.
E pergunto-me com uma fingida ingenuidade e até por isso, sem encontrar a resposta, que de antemão sei nunca encontrarei!
Há coisas, factos, emoções, que nunca se explicarão pela lógica racional, tão peculiares são a cada pessoa, a cada personalidade, a cada carácter, a cada estado emotivo, a cada qualquer coisa que se seja,...., como indivíduo filosoficamente único e irreplicável.
Desço à Terra mãe, à realidade dos dias de sol e sombra, de chuva, neve frio e calores abrasadores e chego então a mais uma descobera, a mais uma, como sempre é hábito chegar( se não teimasse em pelo menos tentar encontar razões, morreria), ...: a descoberta, que me liberta dessa tensão reflectiva que me angustia e agora me faz sentir diferente, talvez indiferente a esses dislates que sobre mim se abatem, qual tsunami impiedoso de voz tronituante que tento não ouvir, mal a porta de entrada da casa onde vivo... vegetal... se fecha. ( todos os dias aprendemos a enriquecer a nossa ignorância.
Choro, peno, sofro até, para dentro da minha alma apodrecida pelo sofrimento das minhas angústias do viver talvez imerecido e dou de caras com essa descoberta de coisas, aparentemente novas, e, que, afinal,... afinal, são tão velhas; coisas , emoções, estesias e factos de que nem suspeitava pudessem existir na minha consciência emocional mais profunda, pela desconfiança que nos dias que correm não evitamos epitelizar à nossa volta, neste mundo de permanente intriga e hipocrisia e que nos tocam profundamente, nos desperta, dizendo-nos que, afinal, estamos ainda vivos (e porque não merecidamente) : que há muita gente por aí, de quem vale a pena gostar à primeira, ou seja, ao primeiro golpe de asa.
Refiro-me ao que senti hoje, depois de um agradável jantar entre amigos, diria até, companheiros de armas, de caminhos de profissão, de onde sobressaíram duas almas, diferentes , porque são diferentes: uma delas, uma doce jovém, competente e devotada profissional de cardiologia pediátrica, a quem devo a salvação de um ente a quem quero bem, a outra, pela revelação da invejável doçura que mostra no casamento com um meu amigo expresso e que encara nessa ligação, apostando forte, ao ponto de o transformar num homem diferente; não diria melhor: mas diferente.
Então?... Porque não melhor?!
A todos eles, e especialmente a essas duas figuras, agradeço a pulsão emocional que me leva a escrevinhar estas linhas soltas, num fervilhar da emotividade celerada e tornada mais activa pelos eflúvios de um vinho abundante e de grande qualidade (a fazer inveja ao estúpido chauvinismo fracófono, que pensa ser filho dilecto de Baco; que descobriu que o vinho foi inventado por Franceses; que os Franceses é que descobriram a cebola de Setúbal e outras aleivosias franco-chauvinistas quejantes...), prova de que me não são, nem nunca serão, pessoas que passam na minha vida sem significar o episódio de mais um que se pensa conhecer, mas sim alguém que nos desperta mais, se é que é possível dizê-lo, um sentimento de amizade franca e imediata, desinteressada e livre.
Afecto talvez! Assim, tão simplesmente.
Hoje foi um dia para não mais esquecer!
Acho que finalmente vou dormir em paz!

terça-feira, dezembro 20, 2005

A ainda jovem raposa e o velho coelhinho enrugado


Tinha prometido a mim mesmo nunca mais perder tempo com estes gajos da política, mas francamente, hoje, depois de ter ouvido parte do debate entre estes Senhores (...cansado desliguei e fui para outra onda, fui fazer algo de mais útil, porque o meu tempo é precioso...), fiquei a pensar que o nosso velhadas perdeu completamente , quer o juízo, quer o combóio para Belém. E o mais grave de tudo é que nem sequer dá pela diferença que o separa do mais novo: léguas e léguas..., anos de luz e de bom senso.
Medo indisfarçável é o que paira no ar que Soares respira...
Está crispado, tenso, arrogante, agressivo como aquele que ataca em alta voz por perder a razão.
E o problema é tão simples!
Devemos saber retirar-nos com a dignidade que ainda nos sobra, seguindo o exemplo do velho cirurgião, que tremendo já das mãos, incapacitado para dar o seu melhor, tem a coragem de encarar de frente a cruel realidade do passar do tempo e dizer: basta, e afasta-se tranquilamente, para gozar em paz o pouco que teoricamente de vida lhe pode ainda restar.
De facto, Soares está puído pelo passar dos anos e regressar à frescura do passado é uma impossibilidade comum a todo e qualquer homem, simples mortal, o homem que envelhece.
O problema é saber como encarar a velhice de cabeça erguida, mau grado as rugas que lhe engelham a pele.
E Soares não sabe de facto!
Não quer perder, nem que seja a feijões, porque do seu discurso ressalta, nas entrelinhas, a ideia de que todos nós temos para com ele uma dívida que só existe na sua cabecinha, onde os neurórios vão impiedosamente amolecendo pela apoptose dos tempos.
Juízo e cabeça fresca!

O Natal, os Políticos e o Portugal submerso dia a dia



O Natal está à porta e as recordações trágicas de uma guerra que parece estar definitivamente esquecida, até dos manuais escolares o que é verdadeiramente inaceitável e ignominioso, como se nada se tivesse passado, regressam impiedosamente às nossas memórias, vindas da lonjura de uma época de crueldades sem par em que até pessoalmente nos vimos envolvidos e que desejariamos nunca mais poder rememorar.
Na verdade, quando nos lembramos desse passado, ainda não muito longínquo, em que nos foram roubados os melhores anos da nossa vida, mandando gerações inteiras (salvo os habituais filhinhos protegidos do sistema à boa maneira da cunha Portuguesa), para uma injusta e inqualificável guerra colonial, em nome de não se sabe o quê, talvez um propalado amor pátrio, numa exaltação fanática, de cariz profundamente fascista, onde vimos morrer, tantas vezes, jovens, do melhor que este miserável País tinha como filhos e que o regímen Salazarista, tratava como bastardos, como carne para canhão, na defesa do que esse poder, então vigente, chamava de sagrado solo Pátrio, exultamos de um misto de saudade das fortes amizades ali acontecidas para sempre, alicerçadas de uma forma definitiva e irrefutável, na dor, no companheirismo e na solidariedade da sobrevivência, e por outro lado, espumamos de raiva incontida, quando assistimos aos discursos demagógicos, provocadores de uma incontrolável volição, ditados pelas bocas da grande maioria dos políticos do agora, que nunca experimentaram nem a amargura da distância, nem o medo, ou o mais ínfimo sentimento de irmandade, entre camaradas verdadeiros, em tão difíceis circunstâncias: as do combate de guerrilha, nem qualquer outro sentimento alicerçado numa solidariedade verdadeira, tentando nos seus discursos mandar para o esquecimento, com desonra, esses milhares de mortos e mutilados que dessa hedionda e injustificada guerra resultaram, como se nada se tivesse passado ou nada de menor importância tenha acontecido, então explodimos, por não ser mais possível suportar tais desaforos.
E é vê-los guerrearem-se, não em perigosas picadas africanas, mas nas lutas por um poder e desmedida ambição, pela repleção dos seus bolsos sem fundo, ou pela ganância do poder pelo poder, força que lhes confere uma vida verdadeiramente ignóbil de desrespeito pelos que nada têm, tantas vezes para um pequeno pedaço do digno pão que cada honrado homem merece.
É só ligar a televisão e ver como eles, agora candidatos à Presidência de um País já quase moribundo se defrontam, como se vendem como Judas Iscariotes se vendeu, (cito as fontes da fabulação religiosa, tão só como estórias bem ficcionada), a troco de éfemeros poderes, neste mundo de tão breve passagem; e sorrio perante a pequenez dessas mentes que só desejam protagonismo, poder e público reconhecimento de capacidades e poderes, em que já ninguém acredita e que de nada valem perante a inexorabilidade dos seus determinados fins: a morte sem honra nem glória.

E há até quem invoque qualidades de político profissional, não se dando conta de que já ninguém o leva a sério e, sobretudo ele, mais até do que os outros, deveria ser quem deveria estar de boca fechada por ter chegado a hora e a idade em que a sabedoria da velhice deveria ter feito dele um tanto sábio, o que infelizmente se constata não ter acontecido.
Dos outros o que dizer?
Vira o disco e toca o mesmo!
Uma palavra de respeito, pelo menos, é o que se exige para tantos mortos, em nome da ingénua coragem e de toda uma geração jovem, que em terras distantes de África, deixaram as suas vidas, fruto da inteira responsabilidade de outros políticos, os de então, também iguais aos de agora, afinal, nem melhores nem piores, muito embora as cores com que estes do actual exibem as sua bandeiras, não tenham a mesma identidade cromática desses do passada, mas que no fundo, são as mesmas cores essenciais de que são compostos os arcos íris da sua perversidade, da sua incontestável e teimosa e comprovada incapacidade, quer por imbecilismo, quer por, espertalhice pacóvia e interesses obscuros, fingindo lutar por um Portugal melhor, onde a palavra solidariedade com que enchem as bocas devesse ter exactamente o significado expresso no simples diccionário do Torrinha.
Soares,...Louças, ... Alegres,... Jerónimos,... Cavacos,... Portas, ...Sócrates,...Durões, ..., mais este, mais aquele, pouco importa,...encapotados e prepotentes Salazarzinhos de meia tijela, etc., … e quejandos energúmenos dos partidos, das Opus, das Maçonarias, ou de outar organizações em que eu nunca participaria, porque só eu sou dono de mim próprio..., em suma toda uma casta de bandos de maltrapilhos etrapaceiros, totais desconhecedores da palavra honra, respeito, solidariedade…

Uma coisa não desconhecem eles:
A mesquinhez da inveja, do mau perder, da prepotência, da ganância,da corrupção mais descarada, do estar-se nas tintas para a desgraça dos outros, etc etc, etc e mais as merdas que do mais vil se possa e não possa imaginar,
Desta reflexão resulta que sinto uma quase incontrolável vontade de desaparecer daqui, de perder a nacionalidade em favor de uma qualquer outra que seja decente; procurar um mundo onde haja pessoas que valham a pena, porque por aqui, o stock está, ou será que esteve sempre esgotado!?

Pena é que a vida mo não tenha permitido fazer em tempo apropriado.
Penso nos Natais de miséria que para aí virão para a maioria de nós e dos nossos descendentes.
Claro que nem todos pagarão a mesma factura, pois continuará a grassar o que parece ser racialmente congénito: um conjunto de pirosos portugas engravatados e imbecilóides, mas espertalhões como ratazanaz de cano de esgoto (nisso somos campeões Olímpicos), que nunca passarão de uns parolos deste ignorado canto do mundo, mas que poderão viajar em TGVs e embarcar em OTAS, nem que seja tão só para chegar a Vila Franca do Campo, ou mesmo à gloriosa cidade Invicta.
Eleições? …., Referendos, … mais eleições? … Ah, não! Basta, escória de malfeitores, de trapaceiros… etc… trupe de bastardos!

Vamos portugueses de BEM: bebam tino, comam pataniscas enquanto ainda há, sorriam, mesmo sofrendo, que foi para isso que fomos predestinados, mas pelos menos, tenham a coragem de se cagarem nesses bandos de parasitas politiquentos,desde a franja saida de uma direitinha merdosa, à baínha da mais miseranda esquerdilhice, onde ainda grassa o virus de um cripto social-fascismo, quer Estalinista, quer Trotzquista, franja esta, cheia de rapazolas da mais alta burguesia, bocas a feder mentiras sobre direitos de trabalhadores, que só os seus lábios as pronunciam, porque a alma deles o que mais quer é o bem-bom, e sobretudo, nem sequer liguem a Televisão à hora em que todos estes energúmenos mostram as dentuças sorridentes, como se fossem os Anjos Salvadores de todos nós.
Só a rir!
Eu?
Votar?
Nunca mais!
E se um certo tipo conseguir aldrabar a malta, uma só vez mais que seja, garanto que nunca mais pagarei um centavo de impostos e considerarei que sou eu que estou enganado, que os Portugueses é que sabem, e que o que eu mereço é ser lapidado em praça pública.
Garantido.

E já agora um conselho: comam-se uns aos ourtos Srs Politiqueiros, que eu vou aproveitar a noite de Natal, para a partir dessa data não ligar mais a TV e nesse fim de dia de consoada comer em paz na companhia de gente boa, a minha gente, uma simples posta de bacalhau com batatas e couves, porque não sei se em 2006 ainda o poderei fazer.
Ah! A propósito de comer, já me esquecia de comentar o que tanto anda na boca do mundo: ninguém se cansa de repetir aquela estória do Cavaco a comer bolo-rei, mas afinal ninguém reparou quando o Soares da voz de cana rachada e ainda por cima semi-fanhosa, comia o seu bolinho de velas de bocarra aberta, como um verdadeiro borgeço, sabendo ele por demais, que isso é má educação.
Muito má educação, para não dizer educação nenhuma.
Lá sabe o povo quando diz:
O pior é: quando o fato se rompe, logo se vé o cu de fora, o que para os que não gostam de uma linguagem tão metafórica, equivale a sugerir: a porra é quando o verniz estalapuxa o pé para a chinela.
Tenho dito.
FELIZ NATAL PARA TODOS OS PORTUGUESE QUE O MERECEM TER.
.



Feliz Natal e melhor 2006

Vindo de um velho amigo, em distantes terrras da Flandres.

Citando um velho adágio Flamengo:

Alguns podem dizer-lhe que o admiram
Outros podem invejá-lo-ão
Alguns poderão ser seus amigos
Outros poderão somente dizer-lhe que o são.
Faça o melhor que puder por todos, todos os dias.
Isso é o mais importante e o que mais conta.
Tenha um bom Natal e um feliz Ano Novo.
Porque assim o merece.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

finalmente o orgulho de ser Português



Aqui está alguém que todos os Portugueses deviam conhecer, neste País onde quem tem valor é rejeitado em favor dos interesses mais obscuros.
Trata-se tão somente do jóvem guitarrista Joel Xavier, um génio bafejado por um incomensurável talento, que aos 15 anos começou a tocar por autodidactismo e aos 31 é inconstestavelmente considerado o terceiro melhor e mais talentoso guitarrista do mundo.
Neste preciso momento e desde que o encontrei por acaso, num concerto ao vivo nos claustros do Convento de Mafra, que o ouço quase compulsivamente, extasiado pela maravilha da sua smúsica e da sua indisfarçável qualidade.
Claro que o recital foi passado em horário não nobre na RTP 2 ( é inconcebível mostrar este fantástico artista a horas próprias para estar já a descansar de mais um dia, do dia a dia de trabalho duro), porque esses horários nobres são dedicados a programas miseráveis de deseducação, sobretudo pela SIC e mais ainda pela incrível TVI, ou por tantos outros canais em língua Portuguesas que só vendem lixo e engordam os patrões de tais estações.
De resto o que se pode esperar neta nossa Terra de abandono de compadrio e de desepero?
Quem vale alguma coisa ou tem, como ele, a coragem de fugir daqui, é digno de todo o nosso respeito e admiração pela sua ousadia de enfrentar um mundo desconhecido( ele conseguiu o reconhecimento universal,para alegria de todos nós). ou então, acomoda-se na mediocridade de se deixar ficar, numa existência vegetal consumindo os dias desta vida tão fugaz numa deseperança aterradora, nesta terra de deseperança.
Hoje sinto por ele o imenso orgulho de ser Português, porque, de quando em vez vamos tendo notícias de gente de que não podemos deixar de nos orgulhar.
Joel deve ter sindo bafejado pela mão de uma divindade, porque a sua forma de expressão musical e a sua técnica são quase impossíveis de admitir num rapaz, que em vez de parecer ter duas mãos e dez dedos, mais parece ter mil, como se fosse um fantástico e talentoso miriápode.

terça-feira, dezembro 13, 2005

O regresso do pesadelo da guerra




As portas da aeronave fecharam-se e após o discurso habitual de segurança a bordo, ouviu-se a voz do comandante anunciar que o voo para Lisboa sairia de seguida:
- Senhores passageiros, dentro de momentos descolaremos do aeroporto de Bissalanca. O tempo na rota está bom, e contamos chegar a Lisboa dentro de aproximadamente cinco horas.
Com a mão esquerda, a única que lhe permitia um gesto titubeante, no meio do branco do gesso que lhe envolvia os membros superiores, o tórax quase imóvel pela dor, emborcou rapidamente aquele primeiro farto whisky enquanto o avião rolava na pista e se elevava suavemente. Pouco depois pediu mais outro, e mais outro para se toldar. Ao lado, duas velhas mulheres, de cor colonial queimada de um esverdeado macilento, distinguiam-no com um olhar piedoso. No corpo so sinais dos graves ferimentos que sofrera.
Sem falarem, ele podia conjecturar que pensariam... "Coitadinho, foi a guerra, é mais um
!"


Nada se compara à indescritíval paz de um pôr do sol numa paraia sem ninguém.
A sinfonia eterna da rebentação; um grito de gaivota, um sussuro da brisa! nos ouvidos cansados de perversidades, de egoísmos!
O coração explode de emoção na presença da beleza sem par destes espaços raramente encontráveis.
Tudo o resto deixa de ter importância e o que nos fica é a beleza suprema de estar ali e a sensação da nossa pequenez

sábado, dezembro 10, 2005

Mesmo tendando não consegui enviar este mail à JAD

A Joana Amaral Dias, a menina loira do cabelo escorrido, com aparência de pouca hidratação, anjo da guarda e mandatária do diz e desdiz Dr Soares, afinal, como quase todos os demais Bichinhos Carpinteiros ( há neles excelentes e aplaudíveis excepções), tem medo dos comentários.
Compreendo que ela e muitos dos outros bloguistas amigos ou conluiados seus, devam mandar para o lixo as indesculpáveis ordinarices e aleivosias que lhe escrevem quando lhe comentam os seus postes,que, e para falar verdade, desculpem-me lá ela, A JAD, e eles, por vezes,aquilo que escrevem nem sequer têm oprtunidade, qualidade minimamente interessante ou até justificação plausível: talvez acontecendo só pelo simples pelo vício de escrevinhar, de estar presente, de, enfim, se salientarem neste espaço virtual, como crianças que mostram as suas gracinhas, não amiúde despropositadas; ás vezes até maçadoras.
Mas tudo bem, como para com as cianças é tão frequentemente necessário ser-se complacente, deve-se, todavia sê-lo, mas com limites: dentro do inteligente, do curioso , do bem dito, do aceitável, do inteligentemente agudo e com um minimo de graça! (muito embora ninguém seja obrigado a visitar o Bicho Carpinteiro, e a quem não gosta, só resta evitá-lo, ou ir dar uma volta para outro lado )

Agora, refugiarem-se: ela e tantos deles (não sei se a decisão de impedir coments foi maioritária e democrática) num incompreensível bloqueio à opinião, parece-me fruto de uma cobardia injustificável.
Assumam pois, sujeitem-se, pois quem anda à chuva molha-se: ela sobretudo, com os seus compromissos políticos tão dúbios, os seus oportunismos políticos, e ponto final.
Portugal, não pode continuar a ser palco ou quinta de esquerdilhices patetas.
Ganhe ela juizo e tenha a coragem e dê de uma vez por todas a cara pelo bem colectivo e não se sirva de idiossincrasias idiotas para levar o seu pequeno bote a porto seguro.
Acredite, menina JAD, que estamos todos fartos das suas atitudes da sua adolescência mal resolvida.
Não entre na história da moda que sempre exitiu, de se ser esquerdista porque é simplesmente moda,...moda.

Aliás, sempre assim foi: os filhos da alta burguesia cripto- social-fasço-troptzquista, sempre se Che Guevarizaram ( coitado de Che), porque é moda; porém agora é uma verdadeira doença.

É só dar um salto aí por faculdades, onde no meio de jovéns que estudam para um futuro melhor , deles e dos seus concidadãos, vegetam esses pimpões, que se topam à distância...
Tenha a menina de Coimbra e tivesse essa garotada pseudo-intelectual que por vezes nem multiplicar ou dividir sabe, entre outras deficiências, respeito pela poética figura desse imortal herói da revolução.
Estude, estude muito, leia, cultive-se, não se deixe estagnar no balofismo da sua pseudo cultura em que muitos não acreditam, respeite, seja bem educada, seja humilde como as pessoas que valem alguma coisa, não se deixe embarcar em oportunismos efémeros, não se comporte como um Pierino Gambie da politiquice, seja racional e realista.

Seja uma patriota sem bacoquismo provinciano, desça à terra real onde os problemas são reais.
Como vê, eu tenho coragem para lhe dizer quem sou: basta ler o meu endereço, que em vão lhe tentei dar a conhecer, não fora a dificuldade que se me apresentou e que me parce insolúvel: com palavras passe...chaves criptadas ...etc.....
Eu, como tanta gente sem protagonismo que para aí anda na sombra dos dias cinzentos porque passamos, empenhámo-nos contra o fascismo no tempo em que para isso era necessário ter coragem e não agora neste tempo de valentias parolas, em que vale tudo, porque ninguém é reponsável por nada; por coisa nenhuma.
E já agora deixo-lhe um motivo de reflexão: com tantos opinadores de esquerda, para onde se evaporaram pides e bufos, se foi a esquerda (que esquerda???) que sempre mostrou engordar mais.

Que eu saiba, a massa humana, não se volatiliza, não sersove em plasma como a matéria atingida pelo impacto de um laser fotodisruptor; quando se funde com a terra mãe, deixa sinais indeléveis da sua presnça: pelo menos deixa na cova: osssos ou restos deles, ...
Pense nisso, menina Joana pateta, pense bem, pense muito!
Para bom entendedor meia palavra basta...
Quer discutir os problema que a todos afligem com seriedade?.
Pois bem, tenha coragem : faça-me esse desafio e não perca tempo.
Atire-se a mim, que eu cá estou para lhe responder.

De doutorados plásticos estamos fartos.
Do que precisamos, é de gente válida que pense naqueles que sofrem as consequências das privações que lhes foram infligidas pelos bandos de politiqueiros, de maçõns, de católicos..., disto ou daquilo,destes ou daqueles, que neste desgraçado e moribundo País vivem à grande com total impunidade dos seus irresponsáveis actos.
Quer discutir assuntos da sua especialidade, que nesse país que tanto parece odiar, tanto aprendeu: os EUA,?, ou prefere voltar às origens, à terra mãe do homem, do sr Leon Trot...., que os sociais-fasciats soviéticos, estalinistas /leninistas liquidaram a golpes de machado, na sua pobre cabeça no final da cena aberta como o peito de um frango no talho do talhante?
Gostava muito de um dia ter uma longa e séria conversa consigo, para melhor podermos esclarecer tudo isto, para ver se o defeito, afinal é meu,s e sou eu que estou enganado ou sofro de um profunciado e profundo sindroma de iletracia...,.

E não pense que tenho receio, nem que o que aqui lhe digo, o faço por ressaiviamento; tão só por auto-coerência.
Sabe, minha boa menina, quem não deve , não teme!

Mande os eus díscolos fazerem-me uma espera que eu próprio lhes darei o respectivo tratamento" democrático", como costuma deixar nas entrelinhas que escrevinha.
Se a menina usasse pincéis lhe diria que pintalgava mal; muito mal. Mas como o seu pincél é a caneta ou o processador de texto também lhe digo que só escrevinha inutilidades

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Os pequenos cantores de Carcavelos

Cerca de cinquenta crianças, quais anjos descidos à terra de um imaginário de perfeição, entre os seis, sete e os três anos, vestidos de jardineiras de um azul jeans desbotado, blusas de quadradinhos, gorros e cachecóis vermelhos cantaram hinos de Natal e temas populares, na escadaria de um hotel, para um grupo de médicos aí reunidos no seu congresso anual.
Que momento de incontronável magia.
Que suavidade me invadiu o coração e me pacificou as angustias de dias conturbados.
Que emoção senti ao ver aquele doce balancear dos seus corpinhos ao ritmo dos cânticos e que doçura emanava desse momento inesquecível.
Parecia ver ali também aquela coisa pequenina e adorável, que é a minha neta.
E como foi bom sentir amor e enternecimento por aquelas almas pequeninas e ainda desconhecedoras deste mundo louco em que vivemos.
E que pena sinto que o Natal não seja todos os dias e para todas as crianças de todo o mundo, especialmenete para aquelas que mais privadas estão de tudo, ou de quase tudo, por razões que este mundo de desenfreados interesses teimamem em não alterar.
Será que algum dia os responsáveis por guerras, por misérias inflingidas e sofrimentos despiedados a outros, só interessados nos seus benefícios, recebam o merecido castigo?
Duvido!
E tenho pena de que assim seja: que em vez de amor entre os homens pouco mais haja do que discórdias, egoísmos e crueldade.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

aniversário dela, da minha companheira de tantos anos



Hoje, como ontem, anteontem e assim pelos tempos fora, alguém festejou ou festejará o seu aniversário: uns com simpatia e agrado, outros assumindo uma atitude de forte negação e até tristeza por esse dia tão especial, o dia em que viemos a este conturbado mundo, já que para estes, fazer anos, não representa mais do que um passo em frente em direcção ao fim inevitável de todos nós.
Mesmo assim, e contornando a obstinada oposição da aniversariante, renegando o prazer desse dia, consegui reunir a família, e à volta de uma mesa e de um agradável e saboroso jantar, discutir de tudo um pouco e aperceber-me de como é imenso o amor que nutro por todos eles e particularmente pelas crianças em geral, ali todas representadas na dulcíssima figura delicada de uma adorável neta minha a quem quero mais do que à própria vida.
Morrer depois, pouco importa!

domingo, dezembro 04, 2005

O burguesão trotzquista

Do jornal o Público de hoje

Presidenciais
Louçã diz que Sócrates parece "resignado" com vitória de Cavaco.

O candidato presidencial Francisco Louçã disse hoje em Guimarães que o primeiro-ministro José Sócrates parece "resignado" com uma vitória do candidato da direita, Cavaco Silva.

De facto, se assim é porque anda a perder tempo este imbecil fardado de esquerdista radical e que não passa de um cripto social-fascista encapotado de salvador da classe operária.
Porventura já esqueceu a forma arrogante como tratava o chaufeur do seu paizinho, quando o pobre homem o levava ao liceu?
Há cada safardana que Deus nos livre!

Butelo das terras frias transmontanas



É dever de qualquer português que se preze, se por acaso nunca teve o privilégio de lhe tomar o sabor, uma vez que passe pelas frias terras de Bragança, o procure degustar.
Trata-se de um tradicional e famoso enchido, dificilmente encontrável fora do Inverno e daquelas paragens, produto digno da mesa de um Rei e que se come com as célebres cascas, que mais não são do que uma também saborosissíma variedade de vagens secasriscadinhas de um feijão d0 qual desconheço o nome.
Uma verdadeira delícia, só encontrável por aquelas longínquas paragens.
Há uns maduros cá pelo sul, que têm a felicidade de, por vezes, terem acesso a tal iguaria, com a vantagem de aproveitarem a oacsião da empanturradela para o fazerem na companhia de gente que se quer muito bem.
Se algum dia tiverem oprtunidade de comer tal petisco, por favor não a desprezem.
Conselho de amigo.

sábado, dezembro 03, 2005

Ele fala , fala, fala e não se cansa, mesmo que já ninguém o ouça



O que é que o esclerosado Senhor, na fotografia, à esquerda estará a dizer ao próximo Presidente da República?
Estará ele a pedir desculpa pelos desmandos de quem não sabe perder, que andou por aí a vocalizar, com uma bolinha de Charcot entalada na goela( deve sentir-secomo um puto que perde ao pião), que mal o deixava engulir a saliva, pela derrota anunciada?
Ou repetirá ele, à exaustão, como um disco partido de caduco vinil de 78 rotações, numa atitude de quem já não tem argumentos válidos, como num pensamento idioconcêntrico auto criado, como quem repete obcessivamente uma fala de teatro sem espectadores, que, bem podem os portugueses bramar, que ninguém lhe tira da cabeça, nem que lha rachem à paulada, que ele é de facto a única e última esperança para a salvação do náufrágio nacional?
Coisas que a idade nos faz: repetir vezes sem conta, ditos e mais ditos, chavões, tiques demagógicos, zangas de maus perdedores,saudosismos bacôcos, enfim, discursos e discursinhos sem sentido, sem miolo, sem conteúdo válido como sumos aguados sem sabor, que ninguém já quer ouvir!
E é pena, porque se tivesse estado muito quietinho, a escrever, a ler,àgora neste tempo sentado à lareira no conforto da saua cas, com os pés bem quentinhgo, embrulados numa manta, gozando os seus saudáveis oitenta e tantos anos, que espero sejam bem longos, talvez não tivesse perdido a indelével importância e estima de muitos portugueses de bom senso, em vez de em Janeiro próximo se vir a tornar alvo da chacota e do virar de costas de muitos, que até agora, o parecem adular!
É que o povo é sábio: Rei morto, Rei posto.
E isto é uma verdade incontestável, à qual nem ele, o Rei Soares escapará.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Onde quer que estejas, meu amigo Sebastião, a minha saudade eterna

Absorto, ouvia o zunir do vento e o trautear da chuva na vidraça do seu aconchegado escritório.
Noite triste, fim de um dia não menos deprimente e cinzento de Outono, recordava a dor que o seu grande amigo Sebastião sofrera no dia em que finalmente se separaram para sempre e ele o vira partir de Angola, com o temor estampado naquele seu inesquecível rosto negro, de uma ingenuidade indisfarçável, de nunca mais se voltarem a encontrar.
Como num flash-back, numa suave e ao mesmo tempo dolorosa recordação, podia agora rever o correr turbulento das lágrimas sentidas, de cuja verdade nunca ousara duvidar, que o seu amigo e companheiro fraterno Sebastião não conseguira estancar, a inundarem-lhe o rosto crispado de tristeza, nesse momento difícil do abraço cerrado final da inexorável despedida; num sofrimento atroz, como se o mundo lhe tivesse desabado sobre os ombros.
Ele, aquele garoto soldado, tinha só vinte frescos anos, na sua negritude gaiata e admirável, como a do chocolate amargo tornado doce, com o brilho acetinado e digno da sua pele escura, sempre fora o companheiro dedicado e amigo, que o guiara a salvo por terras vermelhas e poeirentas africanas, como se fosse um seu anjo da guarda, como se guardasse o seu próprio pai.
Que dor e que saudade experimentava agora, ao ponto de também ele não conseguir estancar uma lágrima de emoção, que sorrateiramente lhe ia correndo pela sua já envelhecida face.
Que saudade de mais de trinta e tantos anos sentia do seu amigo Sebastião e como o parecia agora rever no seu sorriso franco, quando conduzindo o jeep lhe dizia: meus tinente, pode estar descansado, que quando vortar nos puto, vai chigar inteirnho p’ra ver os suas mininas; o Sebastião vai devagar para não termos chatice…
Que saudades sentia do Sebastião, aquele seu verdadeiro amigo que a guerra lhe deu e lhe roubou.

domingo, novembro 27, 2005

Um Outro Dia Inesquecível


Um outro dia inesquecível


Hoje casou a sua outra filha.
A outra filha dos meus queridos amigos, amigos como se na verdade fossem irmãos mais novos: ele, pessoa de valor inestimável, quer como homem, quer como dedicado e competente profissional, capaz de ser grato, na sua imensa grandeza, o que nestas condições é inequívoco sinal de que se é grande, de alma e coração (agora, afinal, quem lhe é grato sou eu por essa sua nobreza e generosidade de carácter), ela, uma mulher inigualável: um ser encantador e quase inincontrável neste mundo louco de egoísmo em que vivemos.
E como se alguém escrevesse um conto e começasse assim:
Tudo aconteceu em Novembro.
Duas andorinhas que esvoaçaram do ninho encantado de uns invejáveis pais, que agora irão certamente e de forma inevitável espreitar de quando em vez esses ninhos vazios das suas pequeninas crias que outrora foram, agora feitas mulheres, acerca das quais, seguro estou, serem capazes de enfrentar este mundo alienado de hoje, com a coragem, a inteligência, a bondade e honradez que por esses pais devotados lhes foram ensinadas.
Desta vez, foi a daquela pequenina ternurenta que vi crescer e que, na traquinice dos seus tenros anos de menina, em tardes de praia, que tantas vezes passávamos juntos.
Ela, que enregelada, queixinho tremente, lábios arroxeados pelo frio da água gélida do mar, que mesmo em verões quentes, raramente aquece ao ponto de ser apetecível a franzinos corpinhos de criança, se recusava a sair do banho, garantindo nesse tiritar de frio, que não, …, que era só mais um mergulho, …, que não sentia frio,…, que era impressão nossa, … era só mais um mergulho!!!... e depois sairia, embrulhada na sua quentinha toalha turca de espesso pêlo.

Depois, a cerimónia, onde nem sequer o admirável: Embraceable de G. Gerchwin, nem tão pouco o belíssimo cântico de César Franch: Panis Angelicus foram esquecidos.
A seguir, a festa magnífica, num local primorosamente escolhido, o repasto digno de reis, o encontro de velhos e mais recentes amigos, a reconfirmação de amizades, enfim, um explodir de emoções incontidas e verdadeiras: uma festa de alegrias, uma elegia ao que de melhor o homem encerra em si próprio.
Um vinho magnífico, produto produzido pelo saber dos sonhadores recém casados: geniais e jovens, mas ousados engenheiros agrónomos, capazes de tal feito: produzir o seu próprio vinho, de óptima e indiscutível qualidade.
Tanta gente interessante ao mesmo tempo ali encontrada:
Um bem que raramente se consegue neste mundo conturbado em que afectos e emoções vão sendo a difícil excepção da equação da vida que nos vai consumindo dias e esperanças.
E nem faltou, como era de esperar a presença da família Toledana, agora como que uma família Bipátrida (Portugal e Espanha misturados nos seus corações, nas pessoas dos seus filhos, filhos das duas Pátrias, que o casamento assim tornou, unindo-os numa só pátria), por quem sinto tanta simpatia, a Mª de Lurdes e a sua encantadora filha, agora peças fundamentais da família dessa outra filha que também neste Novembro voou do ninho paternal para os braços do seu amor toledano. Para mim um dia inesquecível.
Obrigados meus queridos Pedro e Guida, por não terem esquecido este vosso velho e dedicado amigo

O vosso sempre Fernando

quarta-feira, novembro 23, 2005

A ironia das teias que a vida tece


Conheceram-se na Guiné, durante a guerra colonial, nos anos em que este conflito estava no auge da sua violência: ele, jovem alferes médico, o outro, um novato furriel enfermeiro da sua companhia.
Embora as normas do regulamento militar não sancionassem o convívio entre sargentos e oficiais, foi a guerra que no seu desenrolar da misérias e da dores, de feridos e mortos, condicionou a grande amizade que a partir daí se estabeleceu entre ambos.
Depois, salvos e fisicamente intocados, o regresso e o inexorável afastamento de quem regressa às suas profissões anteriores.Mas, ironia do destino, que tantas vezes traça caminhos que a razão não compreende!
Inacreditavelmente, para além de curtos telefonemas e de combinações de encontros que acabaram por nunca se concretizar, estiveram anos sem se voltarem a ver, até ao dia em que sua filha lhe participou que tencionava casar.

E para maior espanto seu, exactamente com um filho dele, do seu indefectível amigo, o seu furriel das boas e más horas.
Teias que a vida tece.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Mas afinal o que e é que os aerogramas do António Lobo Antunes têm de especial (o que nada tem a ver com a indefectível qualidade sua como grande escritor, talvez o mais importante da minha geração), se não a linguagem apaixonado de uma juventude em ansiedade extrema pela separação provocada pelo conflito colonial), ao ponto de uma comentadora televisiva depor em opinião, na entrevista semanal que faz a Marcelo Rebelo de Sousa, que se trata de uma admirável compilação, de uma obra de grande qualidade.
De facto, foi comovente a reportagem televisiva do reencontro de camaradas, no momento do lançamento desse livro, ao ponto de a uma lágrima de uma sofrida nostalgia, escorrendo-me pela já minha envelhecida face me não poupar essa recordação dolorosa, e também de orgulho por ele, pelo António, o autor mais do que consagrado, misturado no seio dos seus antigos companheiros de desdita e não sentado à mesa de apresentadores de circunstância ( o que não foi o caso, porque à mesa estavam as suas filhas, talvez as responsáveis por o terem quase forçado, creio, a essa publicação), emproados de vaidade como tantos que para aí vagueiam numa pseudo-intelectualidade bem pacóvio-portuga quinto mundista.
É certo também, que muitos outros, milhares, deles, diria mesmo, gostariam de conseguir ter um dia igual ao do António: ter consigo todos os seus camaradas, todos vivos, o que se afigura uma impossibilidade, já que tantos deles por Africa perderam a vida e, outros, muitos felizmente ainda vivos e de bom e digno envelhecimento,
No entanto, é bom não esquecer que essas cartas de desespero pela lonjura e perigos da guerra não foram só vividas por ele, o António, pessoa de quem até sou amigo e de quem com sinceridade gosto, mas deixo no ar a pergunta que nada tem a ver com o seu legítimo direito de publicação: será que não haverá por aí milhares de aerogramas igualmente desesperados e belos, que deveriam também ser reunidos em obra, e aos quais, a Sr.ª comentadora televisiva, sempre tão arguta e atenta a tudo, pudesse ter acesso e que de igual modo considerasse dignos de serem lidos?
O facto é que nem só o António Lobo Antunes sofreu na pele a dor e a angustia desses tempos, já para não falar dos famosos aerogramas daqueles que nunca voltaram mas também escreveram.
De todo o modo um abraço cingido de amizade ao António, com a ressalva do seu legitimo direito a essa publicação.
E já agora seria bom que a sociedade civil mostrasse, senão respeito, pelo menos uma contenção mais digna pelos combatentes da guerra colonial: primeiro pelos mortos, uma juventude sacrificada que só uma história perversa e politiqueira teima em ignorar e depois por aqueles em quem aquela maldita contenda em terras Africanas deixou marcas de dor e sofrimento inapagáveis.


quinta-feira, novembro 17, 2005

MEDITAÇÃO: O PAÍS E NÓS PRÓPRIOS,TODOS NÓS



Ora aqui está alguém de que nunca gostei, por quem nunca senti a mais ligeira réstea de empatia.
Talvez porque me parece homem de pensamento sinuoso, prolixo por vezes, talvez até pedante q.b.
Mas, há sempre um mas!
Desta vez não resisti a espalhar aos quatro ventos a opinião que este senhor tão bem explicitou, num texto, quase em forma de um ensaio, sobre os males que nos afligem, dividindo culpas, atribuindo responsabilidades, etc..., falando de todos nós: portugueses.
E aqui confessando estar nestes aspectos em quase total acordo com ele, digo quase e reeitero-o, quase, aqui me responsabilizo, não por plágio do referido documento, porque estando num país livre, sou pelo livre de pensamento, deixando a quem quiser, a outros, a oportunidade de conhecer o que é público, ainda por demais publicado num jornal diário, e também por sentir ser meu dever de cidadania deixar este escrito tão importante desse referido senhor, de quem não de facto não gosto, como atrás já disse.
É também direito democrático meu fazê-lo, sem o ofender, só pelo facto singelo da clareza de repetir, que é pessoa que não aprecio. ( questão que só a mim diz respeita)


E Prado Celho reza assim e o que reza é da sua inteira responsabilidade:

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo.
Nós como matéria-prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito.
Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame.
Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...
Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirão. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.
E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim,
exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.

E você, o que pensa?.... MEDITE!

PUBLICADO NO JORNAL: O PÚBLICO


Do poeta popular a verdade crua



Touradas e procissões
Fátima, fados e bola
São as únicas distrações
De um povo a pedir esmola