sábado, abril 30, 2005

O homem que parecia de pedra e afinal o não era

Por fora, um homem de pedra, por dentro, por dentro de mel.
Via-o na rua e ás vezes, só, sentado a um canto do pequeno café da praça central, junto única vidraça grande que dava para a rua, lendo o jornal diário que ali chegava sempre com atraso.
Mas conhecê-lo, ter consciência da sua presença física austera, da sua voz cava que me aterrorizava, só aconteceu há muitos anos já, no dia da minha primeira amigdalite.
Toda a gente parecia adorá-lo, mas eu odiei-o desde que naquela tarde quente de Agosto entrou pelo meu quarto, sorrindo para a minha mãe enquanto dizia na voz que me pareceu o ribombar de um trovão:
- Vamos lá ver então o que é que o garoto tem!
A seguir foram zaragatoas de anginol, um liquido escuro e picante, de sabor iodado, que me provocaram vómitos inesquecíveis, supositórios de bismucilina, pachos de algodão embebidos em álcool, ajustados a um lenço de assoar a envolver-me o pescoço.
E a minha mãe, agitando nas mãos um livro de estorietas da colecção Manecas - que hoje sei ter sido comprado na loja do tem tudo, o velho Coelho da Drogaria Central -, para me acalmar a pena de me ver metido naquela cama e de ao mesmo tempo ouvir o chilreio da garotada amiga que, na rua, jogava futebol com uma bola de trapos sem mim, e que depois do jogo acabado fazia corridas em volta do quarteirão passando pela quelha das traseiras da estação de correios lá da terra.
Depois, houve outras amigdalites, outras febres e lá vinha ele com aquela face cortada a garlopa a repetir que eu nunca mais tinha juízo, que só estava bem a meter os pés em poças de águas frias apodrecidas do degelo de neves invernosas ou a jogar guerras com bolas de neve e a seguir, transpirado, a tirara a samarra, com as respectivas consequências.
Carreiros de cabra, montes e vales, calcorreava ele, empinado como uma estátua de granito sobre o seu velho e já cansado cavalo preto, o Soberano, como lhe chamava, a quem dedicava um afecto como se fosse do seu sangue.
. O seu velho citroen arrastadeira apodrecia no alpendre do barracão da sua quinta. Só o usava quando, esporadicamente, alguém que precisasse do seu auxílio vivesse em lugar com acesso por estradas de macadame e calhaus, que outras quase não haviam.
Um dia soube que ele, afinal, morrera abandonado no seu leito de solidão e então, uma lágrima de saudade rolou-me pelo rosto.

quinta-feira, abril 28, 2005

Este País de contrastes

Talvez por culpa minha, ao tentar usar o meu cartão de saúde dos funcionários públicos, vulgar ADSE, para fazer uma análises de rotina e outras, infelizmente bem mais específicas, foi-me dito que o dito documento estava caducado - (o que estranhei, pois nele constava a indicação de ser perpétuo) -, e que concerteza me tinha sido enviado um outro para o substituir.
Deve ter-me sido enviado, mas disso não me dei conta, assumindo do facto a respectiva responsabilidade.
Dirigi-me então aos serviços centrais da ADSE, na praça de Alvalade, e qual não é o meu espanto, deparei com uma silenciosa multidão, que encerrada numa relativamente pequena sala de r/c, se abanava com o que podia para se refrescar, enquanto aguardava atendimento por duas únicas funcionárias públicas que ali se encontravam sozinhas para tratar dos assuntos daquelas acomodadas pessoas.
Furioso, saí a pensar que se diz por aí que há funcionários a mais, o que acredito de imediato, e só por acreditar pressinto, que afinal, os que estão a mais , ou arranjam forma de escapar às suas obrigações, ou o que é mais provável, estão mal distribuidos. Pela Internet, certifiquei-me da possibilidade de conseguir um novo documento e quando consultei os prazos para o obter fiquei alarmado.
Decidi então dirigir-me à loja do cidadão, e aí, milagre dos milagres: consegui o tão almejado cartão em cinco simples minutos.
E digam lá que isto não é um País de contrastes!

segunda-feira, abril 25, 2005

O meu 25 de Abril

O meu 25 de Abril

Nessa madrugada gloriosa Portugal viu-se finalmente livre do ditador que todos pensavam ser só odioso pela sua tacanhez e argúcia de opressor de todos os que sonhavam com um País livre e fraterno e igualitário.
Enganam-se muitos, cuja ingenuidade os leva a pensar assim, porque, de facto, Salazar não se limitou a ser um déspota pacóvio de botas de atilho e ceroulas. Foi mais do que isso. Muito mais. Foi um tirano parolo à portuga, castrador emérito de liberdades, um homem de uma inacreditável perversidade em muitos aspectos, cujas habilidades nem todos, ou não conhecem ou porventura esqueceram.
Não se esqueça por exemplo, entre outros factos, a hipocrisia com que, dando liberdade e poder totais, aos seus díscolos da primitiva PVDE, depois chamada PIDE, tratou os milhares e milhares, não se sabe bem quantos, de refugiados do nazismo hitleriano, enchendo os cofres do estado novo, obrigando-os a comprar, com o pouco que traziam, o sonho da salvação, num País que se julgava neutral e afinal o não era – Oliveira Salazar queria estar de bem com os anjos e o diabo –, os vistos transitórios de curta permanecia em Portugal, para depois os reencaminhar, os que podiam garantir a sua passagem, a caminho do continente americano a outros, não tão poucos assim, por intolerância politica ou qualquer outra forma de conveniência para o regímen de regresso a
CAMINHO DOS CARRASCOS NAZIS.
É bom que estes factos não caíam no esquecimento e que os rapazolas, de todas as cores e credos políticas que há tantos anos nos governam e que infelizmente tantos sonhos desse dia de Abril fizeram gorar, ou por provada imbecilidade politica, incapacidade e por que não dizê-lo, em alguns casos, ao serviço de inegáveis interesse pessoais e de grupo, tomem muita atenção ás hordas de novos neonazis que no nosso Portugal se organizam e brotam impunemente dia a dia e que pelo menos a esses seja vedada a tão apregoada liberdade.
Devemos ter em conta que afinal, aquilo com que tantos demagogos diariamente enchem as bocas: as tais conquistas de Abril, afinal, não passam de palavras ocas propaladas por mentes canhestras saloias, sem que desse facto se dêem conta,ou por interesse, ou leviandade ou por imbecilidade façam a mínima ideia do que essas palavras significam para tantos que hoje sentem na pele o tormento do desemprego e tantas vezes de uma miséria escondida.
Sonhámos um país novo onde todos tivessem uma oportunidade, mas afinal esse ensejo foi para a maior parte de nós gorado.
Claro que se salvaram alguns clãs e todos calculam quem sejam.
Cá por mim o 25 de Abril é festejado no meu coração desiludido.
O que é feito da apregoada educação tão necessária a este povo que só conhece direitos e renega toda e qualquer obrigação?; que ainda cospe para o chão….
Da saúde?....
Etc, etc, etc,. blá, … blá,… blá,... Tanto,tanto que havia para dizer !
Numa coisa é este povo, dito livre, campeão: Na sua famosa xico-espertice.
Só que estamos prestes a pagar muito caro por essa habilidade!
Cá por mim o 25 de Abril é festejado no meu coração desiludido
……

quinta-feira, abril 21, 2005

A preocupação piroso-portuga com o recém eleito Papa

De facto o Portuga é assim! Preocupa-se mais com o que não devia merecer mais do que a atenção devida e não perde tempo a pensar no que vai por esse desgraçado País fora. Aqui deixo este documento para a reflexão de todos



ISTO É INACREDITÁVEL !!!!!!!!!!!DESARROLLO-PORTUGAL:Lejos de EuropaMario de QueirozLISBOA, 21 sep (IPS) - Indicadores económicos y sociales periódicamente divulgados por la Unión Europea (UE) colocan a Portugal en niveles de pobreza e injusticia social inadmisibles para un país que integra desde 1986 el "club de los ricos" del continente.Pero el golpe de gracia lo dio la evaluación de la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económicos (OCDE): en los próximos años Portugal se distanciará aún más de los países avanzados.La productividad más baja de la UE, la escasa innovación y vitalidad del sector empresarial, educación y formación profesional deficientes, mal uso de fondos públicos, con gastos excesivos y resultados magros son los datos señalados por el informe anual sobre Portugal de la OCDE, que reúne a 30 países industriales.A diferencia de España, Grecia e Irlanda (que hicieron también parte del "grupo de los pobres" de la UE), Portugal no supo aprovechar para su desarrollo los cuantiosos fondos comunitarios que fluyeron sin cesar desde Bruselas durante casi dos décadas, coinciden analistas políticos y económicos.En 1986, Madrid y Lisboa ingresaron a la entonces Comunidad Económica Europea con índices similares de desarrollo relativo, y sólo una década atrás, Portugal ocupaba un lugar superior al de Grecia e Irlanda en el ranking de la UE. Pero en 2001, fue cómodamente superado por esos dos países, mientras España ya se ubica a poca distancia del promedio del bloque."La convergencia de la economía portuguesa con las más avanzadas de la OCE pareció detenerse en los últimos años, dejando una brecha significativa en los ingresos por persona", afirma la organización.En el sector privado, "los bienes de capital no siempre se utilizan o se ubican con eficacia y las nuevas tecnologías no son rápidamente adoptadas", afirma la OCDE."La fuerza laboral portuguesa cuenta con menos educación formal que los trabajadores de otros países de la UE, inclusive los de los nuevos miembros de Europa central y oriental", señala el documento.Todos los análisis sobre las cifras invertidas coinciden en que el problema central no está en los montos, sino en los métodos para distribuirlos.Portugal gasta más que la gran mayoría de los países de la UE en remuneración de empleados públicos respecto de su producto interno bruto, pero no logra mejorar significativamente la calidad y eficiencia de los servicios.Con más profesores por cantidad de alumnos que la mayor parte de los miembros de la OCDE, tampoco consigue dar una educación y formación profesional competitivas con el resto de los países industrializados.En los últimos 18 años, Portugal fue el país que recibió más beneficios por habitante en asistencia comunitaria. Sin embargo, tras nueve años de acercarse a los niveles de la UE, en 1995 comenzó a caer y las perspectivas hoy indican mayor distancia.¿Dónde fueron a parar los fondos comunitarios?, es la pregunta insistente en debates televisados y en columnas de opinión de los principales periódicos del país. La respuesta más frecuente es que el dinero engordó la billetera de quienes ya tenían más.Los números indican que Portugal es el país de la UE con mayor desigualdad social y con los salarios mínimos y medios más bajos del bloque, al menos hasta el 1 de mayo, cuando éste se amplió de 15 a 25 naciones.También es el país del bloque en el que los administradores de empresas públicas TIENEN los sueldos MÁS ALTOS.El argumento más frecuente de los ejecutivos indica que "el mercado decide los salarios". Consultado por IPS, el ex ministro de Obras Públicas (1995-2002) y actual diputado socialista João Cravinho desmintió esta teoría. "Son los propios administradores quienes fijan sus salarios, cargando las culpas al mercado", dijo.En las empresas privadas con participación estatal o en las estatales con accionistas minoritarios privados, "los ejecutivos fijan sus sueldos astronómicos (algunos llegan a los 90.000 dólares mensuales, incluyendo bonos y regalías) con la complicidad de los accionistas de referencia", explicó Cravinho.Estos mismos grandes accionistas, "son a la vez altos ejecutivos, y todo este sistema, en el fondo, es en desmedro del pequeño accionista, que ve como una gruesa tajada de los lucros va a parar a cuentas bancarias de los directivos", lamentó el ex ministro.La crisis económica que estancó el crecimiento portugués en los últimos dos años "está siendo pagada por las clases menos favorecidas", dijo.Esta situación de desigualdad aflora cada día con los ejemplos más variados. El último es el de la crisis del sector automotriz.Los comerciantes se quejan de una caída de casi 20 por ciento en las ventas de automóviles de baja cilindrada, con precios de entre 15.000 y 20.000 dólares.Pero los representantes de marcas de lujo como FERRARI, PORSCH, LAMBORGHINI, MASERATI y LOTUS(vehículos que valen más de 200.000 dólares), lamentan no dar abasto a todos los pedidos, ante UN AUMENTO DE 36 PORCIENTO en la demanda.Estudios sobre la tradicional industria textil lusa, que fue una de las más modernas y de más calidad del mundo, demuestran su estancamiento, pues sus empresarios no realizaron los necesarios ajustes para actualizarla. Pero la zona norte donde se concentra el sector textil, TIENE MÁS AUTOS FERRARI POR METRO QUADRADO QUE ITÁLIA.!!!!!Un ejecutivo español de la informática, Javier Felipe, dijo a IPS que según su experiencia con empresarios portugueses, éstos "están más interesados en la imagen que proyectan que en el resultado de su trabajo".Para muchos "es más importante el automóvil que conducen, el tipo de tarjeta de crédito que pueden lucir al pagar una cuenta o el modelo del teléfono celular, que la eficiencia de su gestión", dijo Felipe, aclarando que hay excepciones."Todo esto va modelando una mentalidad que, a fin de cuentas, afecta al desarrollo de un país", opinó.La evasión fiscal impune es otro aspecto que ha castrado inversiones del sector público con potenciales efectos positivos en la superación de la crisis económica y el desempleo, que este año llegó a 7,3 por ciento de la población económicamente activa.Los únicos contribuyentes a cabalidad de las arcas del Estado son los trabajadores contratados, que descuentan en la fuente laboral. En los últimos dos años, el gobierno decidió cargar la mano fiscal sobre esas cabezas, manteniendo situaciones "obscenas" y "escandalosas", según el economista y comentarista de televisión Antonio Pérez Metello."En lugar de anunciar progresos en la recuperación de los impuestos de aquellos que continúan riéndose en la cara del fisco, el gobierno (conservador) decide sacar una tajada aun mayor de esos que ya pagan lo que es debido, y deja incólume la nebulosa de los fugitivos fiscales, sin coherencia ideológica, sin visión de futuro", criticó Metello.La prueba está explicada en una columna de opinión de José Vitor Malheiros, aparecida este martes en el diario Público de Lisboa, que fustiga la falta de honestidad en la declaración de impuestos de los llamados profesionales liberales.SEGÚN ESSOS DOCUMENTOS ENTREGADOS AL FISCO, MÉDICOS Y DENTISTAS DECLARARAN INGRESOS ANUALES promedio de 17.680 euros (21.750 dólares), los abogados de 10.864 (13.365 dólares), los arquitectos de 9.277 (11.410 dólares) y los ingenieros de 8.382 (10.310 dólares).Estos números indican que por cada seis euros que pagan al fisco, "LE ROBAN NUEVE A LA COMUNIDADE" pues estos profesionales no dependientes deberían contribuir con 15 por ciento del total del impuesto al ingreso por trabajo singular y sólo tributan seis por ciento, dijo Malheiros.Con la devolución de impuestos al cerrar un ejercicio fiscal, éstos "roban más de lo que pagan, como si un carnicero nos vendiese 400 gramos de bife y nos hiciese pagar un kilogramo, y existen 180.000 de estos profesionales liberales que, en promedio, nos roban 600 gramos por kilo", comentó con sarcasmo.Si un país "permite que un profesional liberal con dos casas y dos automóviles de lujo declare ingresos de 600 euros (738 dólares) por mes, año tras año, sin ser cuestionado en lo más mínimo por el fisco, y encima recibe un subsidio del Estado para ayudar a pagar el colegio privado de sus hijos, significa que el sistema no tiene ninguna moralidad", sentenció. (FIN/2004)

domingo, abril 17, 2005

Afinal sempre há gente civilizada

Hoje, domingo, só por volta das dez da manhã, abri como é costume a janela do meu quarto e espraiei o olhar pela Alameda, há escassos meses acababada de alindar, depois de uma penosa espera ( neste desgraçado rectângulo á beira mar plantado, nada é feito a tempo, para que tudo se conjugue bem com a personalidae madraça,desleixada e egoísta do verdadeiro Portuga) e que se alonga entre o meio inerte das gaiolas de betão, pintadas de cores, que pelo menos, pela sua extravagância cromática tornam menos depressiva a sua aparência exterior e a que chamamos casas!, que a todos aprisionam na selva da uma cidade provinciana demais (num bom português pacóvio, dita moderna!), à procura do verde de que os olhos da minha alma, já cansada de durante muitos, muitos anos, ter de acordar todos os dias para mais uma batalha de uma guerra que me não seduz, tanto precisam de ver.
No meio da garotada que skeitava e corria em patins de linha, respeitando a custo a integridade dos bancos de repouso que por ali estão espalhados, saltando-lhe em cima com os rodados das pranchas, escavacando a madeira dos assentos, em piruetas que querem provar não sei que espécie de habilidade ou coragem, outossim demonstrando a sua incivilidade, concerteza adquirida em suas casas, com o contacto de uns paizinhos igualmente complacentes e malcriados, consegui, finalmente, e pela primeira vez desde que por estes cantos vou gastando os dias da velhice que me leva a caminho do inexorável à velocidade da luz , juro, consegui, dizia: divisar um casal de pessoas na minha faixa ectária, que tranquilamente se passeavam na companhia do seu bom amigo de estimação: um corpulento S.Bernardino, a quem normalmente abreviamos o nome, para simplesmente Bernardo.
E à medida que o animal se ia livrando da carga catabólica do dia, os bons dois velhotes iam recolhendo os produtos dejectados, em saquinhos de plástico, que, seguramente mais tarde colocariam no local destinado a esse fim, provando assim, que afinal, ainda há por aí gente rara que respeita não só os outros e ao fazê-lo se respeita a si próprio.

quarta-feira, abril 13, 2005

Anda, vem, não tenhas medo

Anda, vem, não tenhas medo.
E vê se consegues recordar-te
Do vermelho, do verde e do azul do céu.
Tenta recordá-los nas noites sem estrelas
Noites negras
Noites de um breu total.
Vem.
Guia-te por mim como se fosses cego,
Segura a minha mão,
Aperta as pálpebras,
E tenta recordar
O branco, no áspero contraste do negrume,
Prenhe de suaves gradientes de cinzento.
E se não fores capaz de te lembrar,
Aperta a minha mão.
Deixa-te levar por mim.
Deixa-me cantar-te uma canção de cores garridas.
E assim recordarás a melodia diáfana
Do vermelho, do verde e do azul do céu,
O branco imaculado,
O nosso afecto
Que recordo.
Porque mesmo também eu sem ver,
O quero tanto recordar!

Sem rumo

Sem rumo

Sem paixão, sem amor e sem afecto
Caminha pela vida aflito, perturbado
Sem ter um fim à vista, sem projecto
Na sua solidão imensa e desgarrada.
Sem um fim à vista, sem trajecto.
Definhando, perdido pelas ruas.
Envolto na mortalha
Sobe ao castelo
E do alto da muralha
Pensa pôr fim, pôr fim,
À sua vida desgraçada.

segunda-feira, abril 11, 2005

Saudades de, pelo menos, um dia de chuva

Tempos houve em que um dia de chuva só me trazia tristeza, melancolia.
Hoje, pelo contrário, uns bons dias cinzentos, em que o ouro de uma morrinha persistente caísse, continua, abençoada, sobre os campos, matando-lhes a terrível sede que os sufoca, num amplexo de morte , dar-me-ia a alegria de voltar a poder ver o verde fresco de prados e vales e mitigada a miséria cadavérica que grassa por esses espaços e montanhas de secura e infertilidade, lugares anónimos, onde a desertificação atinge com mais fragor os mais necessitados, aqueles que por aí labutam para que possamos ter nas nossas casas o que esses, com a coragem que lhes resta, produzem ainda, com esforço hercúleo, e a quem a sorte parece ter abandonado de uma forma decisiva.
Como será o futuro mundo das crianças, já tão próximo, ( tudo é tão veloz); o porvir deste mundo enlouquecido que aí veem?
E o que é mais espantoso, é que o cowboy americano, esse Bush oligofrénico, o todo poderoso das Américas, um dos grandes poluidores deste pobre planeta indefeso, continua a não assinar o documento de Quioto, talvez pensando que ele e os que no caldeirão confuso da nacionalidade americana se misturam ( na multiplicidade de todas as raças, origens sociais e credos a que um dia pertenceram, para dar lugar ao que se chama um cidadão americano) , estão acima da hipotese de que qualquer desgraça lhes aconteça.

domingo, abril 10, 2005

tudo isto é triste tudo isto é fado

Como é triste e dolente o tânger de uma guitarra, assim o é este nosso povoléu, (paradoxalmente, pela sua incomensurável incultura e ausência de civilidade, claro), a pensar que sabe mais do que nenhum outro á superfície deste nosso novo mundo sem regras nem valores.
É um fenómeno tipicamente local: só democracia, mas só se for no interesse do próprio!
Belo pensamento lusitano este!
E então, vale tudo e tudo é pretexto para mais uma xicoespertice, uma habilidadezinha portuga, enfim..., chorrilhos de vigarices a todos os níveis, mil e uma invenções destas cabeças latinóides, no pior dos sentidos, entenda-se.
Calculem, que nem as carripanas azuis decarregar as compras dos hipermercados escapam à inteligência e voracidade matreiras dos geniais portugalóides.
Qual não foi o meu espanto, quando num destes últimos dias em que ia fazer umas compras de que necessitava muito, deparei com uma barreira vertical de ferros chumbados com cimento forte ao chão, à saída do Carrefour e Telheiras, e ali mandadas colocar, por certo, pelos patrões Gauleses daquela superfície comercial, não seguramente com o intuito de embelezar o ambiente, mas sim, (vergonha das vergonhas)! calculem: para evitar a saída descarada e criminosa desses carros de compras, que depois a inteligente clientela costuma abandonar onde mais lhe convém.
O que é que esses presunçosos Fracius não teriam ficado a pensar de nós, nobre povo...Nação valente...!, ao depararem com a desturição das referidas barreiras, logo no dia seguinte?!
De facto, infelizmente, não há nada a fazer com este estigmatisado povão dotado de tal esperteza saloia apuradíssima: somos apoucados, porcalhões, invejosos e reles, como mais reles é o mais reles dos reles!
E acredite-se ou não! Hoje mesmo, encontrei abandonado na rampa que dá acesso à garagem do prédio em que vivo, mais um desses famos carrinhos azuis, surripiado através dos buraco feito na grade de cimento onde as barreiras tinham sido fixadas e pensadas indestrutíveis, mas que afinal não resistuiram à esperteza nacional, tão famosa entre a gentalhaa deste triste País de fados vários.

sábado, abril 09, 2005

E volta o folclore

PauloII foi ontem a sepultar. As imagens das cerimónias tiveram uma indescritível dimensão e ainda bem, porque delas, em minha opinião foi o Papa merecedor.
Do Vaticano só voltaremos a ter notícia grada no dia em que pudermos ouvir: Habemus Papa.
Hoje voltamos à nossa pobre realidade e ao indispensável nacional folclorismo pirosão, a propósito do casamento dos aliados ingleses, Carlos e Camila e, eis senão quando, de novo se enchem os ecráns das nossa estações televisivas, de idiotas enfatuados falando de cátedra, como se fossem os mais distintos lentes do saber, sobre vulgaridades, tais como, os vestidos das senhoras..., de quem é aquele sujeito gorducho, de joelho valgo ( disseram que era neto de Churchill), que acompanha uma velha britanica, mal vestida de andar desegonçado,que parecia uma lagosta, etc...etc..., tudo pela voz desses autênticos géniozinhos do tudo saber a propósito de etiqueta.
Falo, claro, de uma bola de sebo, lábios irreconhecíveis pela sua estreiteza e fealdade, vestida de mulher, que dá pelo nome de qualquer coisa derivada de bom-bom, uma tal Bobone, idiota chapada e ignorante, e de uma outra indispensável e sempre presente perua de asas sempre a adejar, muito conhecida pelos seus histéricos e patetas comentários na quinta das celebrimerdas, uma tal Julinha Berreiro, Pereiro ou Pinheiro, não interessa. Do moderador não vale a pena falar porque dele nem sequer mal há a dizer, tão tristes e despropositadas foram as suas intervenções.
Depois, outro canal.
Aqui, o que dantes se chamaria um alfaiate e que por mutação é agora um famoso costureiro, desatou a imprecar: que a cor dos vestid0s das matronas inglesas convidadas para a boda não iam bem com as dos chapéus, que os sapatos deveriam ser desta ou daquela tonalidade..., etc... e outras baboseiras, comentários estes, corroborados por outro especialista, um tal cujo nome lembra mais um boletim metereológico a falar do clima do que um comentador televisivo.
Enfim! É este País que temos e estou quase a acreditar que, afinal, o merecemos!

quarta-feira, abril 06, 2005

Quem são os Alemães?: A minha revolta

Durante toda a minha vida muito tenho lido e estudado, quase até à obcessão, àcerca dos inqualificáveis e hediondos crimes cometidos pelos nazis durante a segunda Guerra Mundial, em nome da tão famosa solução final, ditada pela esquizofrenia de um ser maldito, monstro grotesco e sórdido que não pode, nem deve ser entendido como fazendo parte da espécie humana.
Hoje, mais uma vez senti a minha alma esfrangalhar-se de uma dor lancinante e uma raiva incontida que me constrangia o peito, ao rever o Diário de Anne Frank, numa admirável série televisiva carregada de verdade sobre o inenarrável genocídio practicado pelo poder nazi, consubstânciado pela mão obediente e cega dos seus grotescos e grosseirões sevidores cruéis e brutais, assassinos gélidos, carrascos sem piedade, não descriminando crianças, mulheres e homens, jovéns e velhos, doentes ou saudáveis, judeus, ciganos, comunistas e tantos outros que é impossível enumerar, tão monstruosa foi a indiscriminação na escolha das vítimas.
Há quem argumente porém, que nem todos os Alemães eram assim.
Pessoalmente não consigo estar de acordo, porque o meu ódio por esse povo aniquila qualquer possibilidade de me tornar mais razoável, o que de facto, nem sequer desejo.
Sugiro até, que talvez esses malditos arianos tenham sofrido desde tempos indefiníveis no tempo, de alguma forma de mutação genética que os faz ser indefectivelmente diferentes de toda a restante espécie humana e hoje assim iguais ao que sempre foram e serão.
E não são os sorrisos do Sr. Schroeder, do Sr. Helmut Kool ou de outros homenzarões loiros, de nuca rasa, e ar marcial, as desculpas, nem tão pouco as promessas desses malditos hunos de que aquele horror não mais acontecerá, que me conseguiram convencer do contrário.
Odeio Alemães do fundo do coração sem o conseguir evitar e reeitero que aquele crime nunca poderá, nem deverá ser esquecido.
Tem o poder político do nosso País a responsabilidade de, aqui mesmo, na nossa terra, aniquilar de uma vez por todas, e à nascença, qualquer tipo de tentativa de organizações de cariz nazi, semelhante às muitas que infelizmente de novo despontam, por esse mundo fora, facto que não é novidade para ninguém de boa fé.
É um desiderato de gente civilizada estar atento a um germinante nacional socialismo de pacotilha que ressuma dos famosos racistas de cabeças rapadas, de certas franjas de claques futeboleiras, onde se camuflam verdadeiros díscolos nazistóides, empunhando com descaramento, bandeiras com impressos motivos simbolizando disfarçada e cobardemente outras versões da tão odiada suástica.
Nenhum português o permitirá, nem haverá na nossa terra lugar para energúmenos semelhantes ao bandalho francês Le Pen.
Até parece que, com o pretexto de que nas democracias todos devem ter voz, a França já esqueceu os dias amargos da opressão nazi.
E pena foi, que em Nuremberga não tivesse havido a coragem de pendurar também sem piedade, toda, mas toda sem excluir ninguém, a corja de criminosos servidores fieis de Hitler.

quinta-feira, março 31, 2005

A televisão que temos

Já por várias vezes ouvi comentários em tom de reprimenda dizer-me que só vê a televisão que temos quem quer.
Todavia, com os diabos, concedam-me esses críticos o direito a ver as notícias do dia, na esperança de que elas me contem os factos decorridos no dia a dia com alguma da sua relativa verdade.
E aí vou eu fazendo zapping pelos canais nacionais até que resovi fixar-me num deles.
Notícias iguais: de desgraças, de assaltos por esticão a velhos reformados, descoberta edes de tráfico de droga..., e depois os silêncio sobre os problemas políticos por parte do novo governo empossado após a sua maioritária vitória eleitoral.
Será que este é um silêncio que significa prudência nas novas directrizes, um silêncio de bom agoiro? Penso que todos desejamos que seja
Depois, a esperança gorada de ver tratados outros assuntos segundo os princípios de um jornalismo a sério.
Acredite-se ou não, em lugar de continuarmos a escutar noticias, àquela hora, momento a que ainda crianças acompanham os pais, regressados de mais um duro dia de labuta e portanto em momentos de desejada harmonia familiar, na refeição em conjunto, talvez em muitos casos a única oportunidade que toda a família tem de se reunir, eis senão quando, os energumenos responsáveis editoriais pelo telejornal dessa estação, uma das que ninguém controla (para o patronato da qual só o interesse fiduciário que resulta de elevadas audiências interessa), passou, dizia eu, no resto do tempo que sobrou até ao final desse programa uma extensa e minuciosa reportagem sobre sex-shops, com grotescos comentários de empregadecas brasileiras explicando a diversidade de utilidades de abjectos artefactos de sexo para mentalidades doentes e pervertidas, publicidade cuidada a locais públicos de masturbação voyeirista em cabinas onde filmes pornográficos certamente do mais escabrosamente imaginável, dando o funcionário das ditas cabinas em causa também, no momento de ser entrevistado, minuciosa explicação da utilidade do papel higiénico existente nessas cabinas como instrumento de limpeza dos produtos ejaculados nessa práticas onanísticas e muitas outras desvergonhas... , tudo isto, repito, ocupando a maioritária fatia desse tele jornal, onde expressamente se vulgarizou e vendeu sexo, tornado acto da mais reles ignominia.
Não sou um puritano dado a pudores idiotas! Bem pelo contrário! É bom que isto fique devidamente esclarecido. Sou sim um liberal respeitador dos valores universais, mas há coisas que ultrapassam limites!Reeitero o maior respeito por tudo que concerne à felicidade humana, mas não posso aceitar que valores que são respeitáveis, entre os quais destaco o amor, a amizade a solidarieade, a liberdade, sejam vilipendiados e remetidos para planos esconsos e à tona só sobrenade a merda, nogeira, a bestialidade, o mau gosto a deseducação, o dinheiro fácil, enfim, o abjecto..., tudo isto costas com costas com uma falsa ideia de liberdade.
Para actos destes, uma censura e responsabilização ríspida dos prevaricadores. Já!
É este o desbafo de um cidadão desiludido das esperanças que nasceram naquela bela aurora que despontou a 25 de Abril de 1974.
Fim ao negócio gangsterista televisivo!

sábado, março 26, 2005

Lembranças de Páscoas passadas

Um povo católico como o nosso, costuma dizer que Deus escreve direito por linhas tortas. Em meu entender, homem assumidamente agnóstico, este aforismo resulta tão somente de uma sabedoria secular, que nada tem a ver com religiosidade.
É sabedoria e basta!
Outros povos, de outros credos, teem-na da mesma forma, baseada em outras tradições e incluida de forma profundamente íntrínseca na diversidade das suas culturas.
Vem esta reflexão a propósito de lembranças de cheiros, sabores, cores, ventos, bonanças , tempestades, horizontes , de pores de sol e de tantas tantas outras emoções dos lugares da minha origem que seria impossível rememorar.
Para o escrita e pinturas, tomemos como exemplo o Natal que é mais momento de angustia do que de alegrias e as poucas que lhe ocorrem são a consequência do amor que dedica à família.
E de angustias, porque o Natal não é todos so dias como se ouve dizer em frases esteriotipadas, por essa ocasião, mas sim, porque nessa época continuam a morrer de fome e de guerras, milhões de crianças, de mulheres e homens, em nome de qualquer coisa ou ideário, que a maioria das vezes nenhum significado comporta, senão a defesa de obscuros e malévolos interesses de poderosoas e indomáveis forças organizadas.
De facto, constato que o aforismo atrás citado encerra grande verdade, a verdade de uma autêntica cultura popular.
Mesmo sendo o escrita e pinturas desprendido de saudosismos sentimenmtalóides bafientos, tem contudo consciência de que há algo que o liga a esse microcosmo cultural e de que não consegue libertara sua recordação de: cheiros e sabores das Páscoas passadas nas suas longinquas terras do nordeste, tudo materializado no simples prazer de comer uma simples fatia do magnífico folar, que alí é tradição de muitos anos, saborear-se por esta altura.
Foi incrivelmenete por linhas travessas que um desse magnificos manjares lhe veio parar à mão, fruto do cruzament de duas amizades e por fim da generosidade de um talentoso poeta do seu saudos nordeste, que compreendendo-me, talvez também como eu não consiga prescindir desta forma afectuosa de viver a Páscoa, desse simbólico e simples facto de mastigar tão delicioso pão salgado de carnes, só de nós conhecidas e por nós tão especialmente apreciadas.
Há muita gente, cujos credos não discuto mas respeito, que na chamada Sexta Feira Santa não comem carne, sabendo de antemão que se pagarem bula ao padre mais próximo o poderão fazer.
Eu cá por mim deliciei-me nesse dia com uma grandiosa fatia do meu tão apreciado folar, sem ter medo das chamas do inferno.
Se eu não fosse lá dos cimos de Trás-Os-Montes, mas beirão dir-lhe ia: Bem haja meu amigo por ter tornada tão feliz esta minha Páscoa.

terça-feira, março 22, 2005

Atenção srs. Ministros

Ainda a propósito do revoltante crime ocorrido tão recentemente na Amadora de qu resultou a morte de dois jóvens guardas da PSP e após a captura do abjecto animal, verdadero monstro, que o provocou, só espero, como é costumeiro, que não apareçam de imediato os habituais demagogos apoiantes de uma "certa corrente de defesa dos direitos humanos" e a click dos sempre presentes imbecis sócio-psicólogos de plástico ( são sempre os mesmos), a defender o energúmeno com os argumentos usuais. de que é um pobre coitadinho, um desenraízado social, coisa e tal ... e outras landonas e baboseiras.
Penso que qualquer pessoa bem formada, respeitadora dos reais e verdadeiros direitos humanos se indignaria, se acaso soubesse que tratamentos desumanos eram inflingidos aos detidos nas cadeias portuguesas.
É, no entanto sabido, que bem pelo contrário, a grande maioria dos biltres que se amontoam nesses estabelecimentos, ali permanecem no bem bom, não sofrendo o merecido castigo pelos seus actos anti-sociais, mas antes gozando de regalias de toda a espécie (TV a cores na cela, uso de telémoveis, não obrigação a um trabalho diário em proveito da comunidade, possibilidade de fornecimemto de drogas para uso própria e para venda, etc...) , que tantas centenas de milhares de pobres deste desgraçaodo País nunca almejaram conseguir, merecendo-as seguramente até tão só pela pobreza com que a vida sempre marcou a maioria deles.
Como dedicado e rigoroso cumpridor dos meus deveres cívicos venho agora deixar ao Sr. Ministro do Interior, do novo e esperançoso Governo, (doutor não sei quantos, também não importa , porque o que não faltam neste País são doutores), que chegou a hora de, especialmenete o Senhor, mudar de rumo e tomar com coragem a decisãode respeitar as forças da ordem, fornecendo-lhes as condições que em quaquer país civilizado são concedidas a essas corporações. Espero que tenha mudado como homem e como político, para melhor, entenda-se, porque ainda me recordo de que não era flôr que se cheirasse, pelo menos na minha modesta opinião. Recordo-me bem bem sua frenética tentência em defender falsos direitos de certas espécies de homens e de o ver, na ponte 25 de Abril, durante o primeiro businão, misturado com arruaçeiros, que por nada de justificável lutavam, agitando uma populaça,totalmente inconsciente das razões do borborinho ( nem tal consciência era necesária; o essencial era conseguir deitar abaixo, o que bem conseguiram) , contra os poderes nessa altura legítimamenete eleitos .
Ao sr. ministro da Justiço é escusado lembrar que chegou também o momento de alterar o estado catastrófico em que as coisas da Justiça se encontram e exigir dessa camarilha de velhos legisladores caspozos, tantos deles patenteando indefectíveis tiques de ex-seminaristas, que é tempo de tomaram tudo isto muito a sério, de reverem o obsoleto código penal que temos se disse forem capazes?! e entraraem em sintonia com a imensa mole dos seus concidadãos que sentem na insegurança um dos grandes males destes tempos conturbados em que vivemos.
Basta Srs. Ministros!
Nâo é só estar no poder e fazer discursos de refinada retórica( alguns tão ôcos que espremidos lembram a teoria do flogisto: evaporam-se, são fluídinos, teem peso negativo) .
Ah! O poder! Esse, é necessário usá-lo com rigor, bom senso e inteligência para o bem de toda a comunidade.
É este outro desabafo dos muitos que estou certo me não sufocam só a mim, mas a milhões de decentes portugueses.

domingo, março 20, 2005

Este triste país

Depois de uma tarde agradável em que, com pessoas muito interessantes, á volta de um copo conversámos de tudo um pouco, vejo-me logo a seguir a um jantar frugal compatível com a minha idade um tanto avança já, confrontado com um telejornal pejado de idiotices, de comentadores que tudo sabem, verdadeiros messias da verdade total, de violências, de atropelos à língua Portuguesa por parte dos agora Srs. Drs. pivots jornalistas etc.... e tal e tal, como diz o povoléu, mas isso nem sequer me espantou por já ser o corriqueiro de todos os dias deste triste País em que vivemos.
De súbito aparece-me na frente, ocupando todo o cinescópio do meu velho televisor, uma mulher vulgar, uma tal não sei quantos, também não interessa, porque afinal, falando de forma mais ou menos esganiçada ela é, infelizmente, réplica de muitas outras, arvorada de um pacovismo incontestável e provinciano cuja parolice não ultrapassa seguramente a linha fronteira de Badajoz, saloismo do qual, pela sua incamuflável estupidez não parece dar-se conta.Uma mulher detestável, claramente vendida ou ao preço do dinheiro fácil ou verdadeiramente estúpida( só pode ser por uma destas razões).
Com tiques de starlet, abrindo levemente as asas numa frequência irregular, como uma perua depenada fugindo à decapitação, talvez para ventilar umas axilas humedecidas tão feiamente biológicas como as de qualquer outro mortal, tornadas inodoras por um desodorizante da moda ( devem ter-lhe dito que assim é que é a pose de uma estrela ), apresentava, numa berraria histérica, estridente e enervante, as estrelas do que seria mais um grande sucesso televisivo.
Embrulhada em vestes de cetins de cor verde-alface-vomitado, a megera, naquele tom de voz estridente fortemente impotentogénico, ( entenda-se, segundo conceituados sexologistas, que mesmo para um verdadeiro macho, aquela tecitura deve tirar a ponta ao mais garanhão desde a própria Europa, até à Oceania), começa então a indicar publicamente com um gáudio insofismávelmente imbecil quem seriam as gradas figuras, que dentro de breves momentos entrariam no segundo programa da série dita "Quinta das Celebridades", entre as quais se destacava a primeira delas: uma velha tonta, totalmente recauchutada pela cirurgia reconstrutiva, enfim, uma figura tristemente plastificada, de quem eu, pobre mortal fugiria a sete pés se com ela fosse confrontada numa qualquer ante-câmara de amor!
E pergunto-me como é possível que os poderes instituidos, que deveriam estar conscientes do analfabetismo, da iletracia e da imensa mancha de pobreza, em alguns casos chegando a tanger a verdadeira miséria, que grassa sem lei nem ordem por esse pobre país fora e que tanta necessidade tem de ser educado para seu próprio beneficio futuro, deixar continuar com este ganguesterismo televisivo de deseducação nacional, engordando os bolsos dos patrões desses importantes meios de comunicação de forma a atingirem as grandes massas, transtornando-lhes as pobres cabeças, fazendo delas o produto amorfo, dependente sempre de um paizinho, talvez tão miserável como o Salazarismo conseguiu fazer.
Em suma : continuar a dar-lhes o alimento da ignorância absoluta, da dependência paternalista, fátima, futebol e fado, tudo acrescido da impunidade de que por aí tantos gozam, como se todos tivessemos de viver num país de verdadeiras traições ao dia em que julgávamos Portugal livre para sempre deste géreno inestinguível de parasitas enfatuados.
Basta de venderem merda e deseducação.
Tenham respeito por quem trabalha, por quem sonha com um país mais justo, próspero e solidário. Tena-se a coragem de aceitar, não uma censura no sentido fascizante, mas ponha-se em tudo isto um minímo de ordem e respeito por uma cultura que nos é tão necessária e da qual depende em grande parte, senão na maior toda a riqueza de um povo.
Este desbafo surge no dia em que dois jovens agentes da ordem foram abatidos pela sanha de um assassino de uma indescritível crueldade.
São perigosos os dias que se avizinham se não tomarmos as precauções que de forma clara se exigem.

quarta-feira, março 16, 2005

os amigos

Como vem sendo hábito, eu e o Faz Tudo, quase como regra ou ritual religioso, excluidas as religiões. num rito agnóstico e digo agnóstico, porque penso seriamente que ambos o somos de verdade, sem receios de infernos ou de outras patranhas com que em garotos nos tentaram impingir medos e terrores: infernos, limbos e outras sevícias dogmáticas, tudo devidamente acompanhado pela consequente obrigatoriedade de regras de um comportamento tipicamente catolicozinho vamos nós até à catedral, aos fins de tarde, depois de mais uma corrida nos segundos da vida e cada um deles é um segundo a menos que vivemos, onde aproveitamos para tomar uma mijoca - entenda-se por esta designação uma beberragem misto de cerveja e gazosa barata -, que a mim, pessoalmente me dessedenta tão agradavelmente como se de um bom espumante se tratasse.
Por certo que estes prazeres não têm a ver com a qualidade do produto que bebemos, mas tão somente, porque eles são deglutidos num companhia carregada de companheirismo e compreensão mútuos, que não gostaria nunca de ver desvanecer-se.
Muio embora nem sempre estejamos de acordo, sobretudo na visão política de como olhamos o envelhecer, de que connosco faz este nosso velho país de tantos séculos, numa coisa somos como um instrumento tocando em uníssono: em pensar que o Lopes, esse exactamente em que está a pensar, ou é completamente passado dos cornos e imbecíl ou nos toma a todos por idiotas, o que a partir de agora jamais conseguirá, quando, depois de feitas as continhas resolveu voltar à presidência da CML .
É preciso ter lata ou não ter aonde cair morto!
Pois não!Chamem-lhe parvo!
Pelo menos, nesta atitude demonstra que não tem geiteira só para a asneira.
Mas esperem pela pancada e logo vão ver o chorrilho de merdas que em breve aí virão.
Tenho pena de que o moscardo laranja ainda não tenha idade para nos acompanhar numa mijoca

sexta-feira, março 11, 2005

A inspecçao

Naquele tempo não havia ainda televisão a cores, nem sequer televisão (felizmente, dizem alguns, não se sabendo se estarão a falar a sério).
A rádio sim, essa existia, mas até ela tinha dificuldade em chegar claramente audível àquele lugar onde o diabo tinha perdido as calças. Era a tristemente e famosa defunta Emissora Nacional, grande educadora ao serviço do então regímen vigente e o Rádio Clube Português, que naquele lugar recôndito do nordeste deste tristonho país (que ainda hoje, bem vistas as coisas, se formos capazes de parar para reflectir com um mínimo de seriedade rapidamente nos daremos conta de que infelizmente ainda não deixou de ser, contudo de um uma forma mais sub-reptícia, mais exploradora, até mais escravizante), bem se ouviam, ainda que a maioria das vezes tão roufenhos, que não se compreendia bem em que língua emitiam, talvez em zumzumronronez, uiiiiizzzzzz!
A primeira dava sempre ao fim da tarde, pelas seis e meia, um tenebroso programa de meia hora de música de dança, e uma vez por semana, aos sábados, uma historieta para crianças
Os adolescentes e os homens das consideradas famílias susceptíveis de frequentar o clube chique da cidade, de idades consideradas já respeitáveis, mas exibindo ainda com argumentos de notória virilidade: funcionários públicos de bigode bem tratado e lustroso, militares do regimento, notários, advogados e até o enfatuado juiz da comarca de cabeça besuntada por espessa camada de brilhantina, qual dançarin0 de tango argentino (o médico devia ser a excepção), ou ficando no seu próprio lar ou saltitando entre as casas uns dos outros, ouviam deleitados aquela música rançosa, seguindo-se de imediato a dança de slows-foxes e foxe-trotes, corpos untuosamente colados os seus, logo que havia oportunidade de conseguir levar por diante essa pequena imoralidadezinha a esconsas dos olhares puritanos das anfitriãs, decalcando os seus romances imaginário-provincianos das comédias americanas do Fred Astaire e do Bing Crosby, vivendo intensamente esses momentos como se eles próprios estivessem impressos numa película cinematográfica correndo a vinte e quatro imagens por segundo, imoralidades essas, que na próxima visita que certamente fariam ao tirano padreco da paróquia, que bem à sucapa também segundo constava se não governava mal com as devotas beatonas que lhe não largavam a ensebada e pestilenta sotaina, em breve seriam perdoadas numa divina confissão de arrojada hipocrisia e de grande aplauso castrense, decalcando os seus romances provincianos, das comédias americanas do Fred Astaire e do Bing Crosby, vivendo intensamente esses momentos como se eles próprios estivessem impressos numa película cinematográfica correndo a vinte e quatro imagens por segundo.
A garotada pequena, com ele era nessa altura, não perdia o programa da Maria Madalena Patacho, anunciado pelo habitual Trá-lá-lá-, trá-lá-lá, trá -lá liro- liro-lá...etc.
A rapaziada foi crescendo e todos os da sua geração se foram tornando garbosos mancebos, que depois da inspecção militar se tornavam “orgulhosamente valorosos soldados da Nação, aparentemente muito felizes por esse facto, numa manifestação clara e estúpida de um machismo idiota e bolorento, bem à maneira salazarista de fazer crescer a juventude sob o sagrado lema de Deus Pátria e Família.
Ele, como os demais, não escaparia à regra e o seu dia estava prestes a chegar.
Havia seis meses que deixara aquela parvónia e fora estudar Medicina para a capital.
Naquela segunda feira de 1955 recebeu uma carta de seu pai, contendo duas belas notas de cem escudos, para custear a viajem de regresso à sua cidadezinha lá para os confins do diabo, informando-o de que teria de se apresentar, impreterivelmente na cidade, na quinta-feira, para a inspecção militar.
Ao receber aquela notícia ficou num estado misto de uma alegria estúpida e receio, porque se por um lado se recordava que eram sempre os jovens oficiais milicianos, os farsolas que na sua parvónia se passeavam ao lado das raparigas mais abonecadas e cheirosas do burgo, o que para si se adivinhava muito aliciante – usavam colónia Tabú e Madeiras do Oriente, vindas de contrabando de Alcañices ou de Zamora)-,e, receoso pelo que tivesse de passar, com obrigações de disciplina, obediência cega e outras regras tanto ou mais estúpidas que aquelas a que sempre ouvira dizer que a tropa obrigaria, coisa que sempre detestara, por no convívio familiar sempre a elas ter sido forçado, numa tentativa de educação militarista, por parte dos homens fortes família, seu pai e seus avós, oficiais superiores de carreira.
De todo o modo não tinha alternativa.
Também,sem o querer reconhecer, o receio estúpido de não ficar apurado para o serviço, angustiava-o, porque na terra quem não servia para tropa era considerado menos homem, uma espécie do não serve para nada.
Partiu no rápido das oito da manhã daquela triste quinta ferira feira, no rápido das oito da manhã e chegou por volta das nove e trinta, à sua cidade triste e fria.
Chovia uma morrinha fria de molhar palermas.
Saiu a estação e percorrer a avenida recta até a sua casa. Depois de três mocadas bem soadas com a mãozinha de ferro no batente polido de metal amarelo da porta, Alice, a criada, depois de espreitar pela janela entreaberta de guilhotina da sala de visitas e certificar-se de que era ele que chegara, veio abrir e pegando-lhe na maleta de viagem disse peremptória:
- menino, não vale a pena subir. Sua mãe manda dizer que vá imediatamente ao café central, porque seu pai está lá com ela e com um senhor coronel médico à sua espera para a inspecção.
- Mas como? A esta hora e no café? Inspeccionado no café?!
- Sim, é o recado que tenho!. exclamou Alice secamente.
Conformado desceu a rua em passo apressado, cruzou a praça e entrou no café cuja vitrina descrevia um arco convexo sobre a praça.
Ao fundo, à direita lá estavam eles: seu pai e sua mãe, o gordo coronel acompanhado de uma senhora de aspecto autoritário, com um penteado a lembrar o estilo refugiada – veio a saber que a matrona era sua mulher e o acompanhava nesse tipo de saídas -, e um outro oficial, talvez tenente, mais novo, e de galões a rebrilhar provavelmente por uma recente promoção
Seu pai ao vê-lo, voltando-se para o coronel barrigudo exclamou:
- Artur, cá está o meu rapaz.
- O quê, este lingrinhas ? Oh Eduardo! Podias-me ter dito, que ele era assim franzino, e não teria valido a pena obrigá-lo a vir de Lisboa! Estás livre, está decidido, não serves para a tropa Senta-te aqui connosco e toma qualquer coisa - repontou com um gargalhar alarve e irónico o gorducho.
Amanha dão-se os dados ao sargento e tudo fica regularizado.


E foi assim que muitos anos passados com o pagamento da taxa militar devidamente regularizada, se viu confrontado com aquele miserável papel verde, metido por baixo da porta de entrada do seu pequeno apartamento, em que era notificado para se apresentar imediatamente na esquadra de polícia mais próxima, porque iria ser reeinspecionado.
A guerra colonial não poupava os médicos, mesmo que fossem fisicamente deficientes. Eles mandavam e era calar a boca e obedecer.
Ela raivosa repontou:
- Vamos fugir!
- Para onde, com que dinheiro e para fazer o quê?

dificuldade em encontrar a via de comentário

Meu caro:
Por muito que me tenha esforçado nesta minha primeira tentativa de incursão de comentar um dos teus mais acertados rasgos criticos (refiro-me naturalmente á vernissage do João Ribeiro na galeria do nosso cefalóescariótico obeso), não o consegui, como de resto já deves ter adivinhado pela via transversa porque o faço agora.
De toda a forma, queria dizer-te que estou quasi completamente de acordo com a tua opinião sobre esta expressão pictórica tão pessoal, tão do João, e, até por isso, e considerando a subjectividade de que esta espressão artisitica se carrega na sua apreciação, num sentido mais lato, mais universalista, mas nem por isso mais atenta e séria, mais merecida é desde o momento em que sem nos darmos conta nos leva para níveis de qpreciação muito consonantes.
E depois desta me vou, porque a pega da minha insónia em vez de me arrastar para a frente do meu teclado e me obrigar a começar a pensar na porra do meu próximo livro, me forçou como a um petiz influenciavél a papar mais uma merda de um péssimo policial, desta vez na originário das Américas, mas do lado da ilha de sua Majestade Britânica, porque lá também há muitos cowboys.
Até depois.